O tomate é um alimento muito apreciado e consumido em todo o mundo, tanto in natura como processado. O Brasil é um dos maiores produtores de tomate industrial do mundo. É destaque na economia brasileira por ser um setor rentável e uma fonte de emprego e renda. O tomate é a segunda hortaliça mais produzida no Brasil, ficando atrás apenas da batata.
Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), a estimativa para a produção de frutas no Ceará em 2024 é de aumento para quase todas as culturas colhidas no primeiro trimestre do ano. Com relação às hortaliças, verificou-se aumento para a produção de tomate (3,9%), pimentão (6,7%) e alface (4,2%). Vale ressaltar, que o tomate responde por mais da metade da produção de hortaliças.
Luciano Coelho, de 52 anos, é agricultor há 40 anos, reside no Distrito Cedro, em Senador Pompeu, há cerca de 270 km de Fortaleza. Toda a sua família pratica a agricultura familiar, um trabalho que é passado de geração para geração, o qual faz perpetuar em cada um, uma experiência incontestável. Luciano diz que o tomate é um dos frutos mais consumidos nos lares brasileiros, por isso é um item indispensável para o fomento da agricultura familiar, assim, como para o desenvolvimento econômico do estado do Ceará.
Acima da média
“Este ano nossa produção de tomates foi bem acima da média. Fazia anos que não se produzia tanto assim. A produção foi em torno de 12 kg por planta, é assim que costumamos calcular a colheita. Porém, a comercialização não foi tão boa e muita gente não conseguiu vender tudo que plantou”, pontuou.
Luciano avalia que para o setor continuar em ascensão e beneficiar mais o produtor em 2025, a questão climática e o valor de mercado serão fatores decisivos. Caso o mercado não reaja, a produção pode ser comprometida. Ele destaca que o valor dos insumos para produzir tomates é alto, o que dificulta para o produtor, além das vendas indiretas, onde o atravessador sempre acaba ganhando mais do que o próprio produtor.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseado no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), foi verificado um incremento da expectativa de produção do Tomate devido ao crescimento da área e da expectativa de rendimento neste ano.
Houve incremento apenas da área em Maranguape, em que se constatou que o número de produtores cresceu, estimulados pela demanda, preço e disponibilidade hídrica. Houve aumento apenas da expectativa de rendimento em Barbalha, Barro, Brejo Santo, Jati, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira, Milagres, Missão Velha, Penaforte, Porteiras e Quixadá, dada a maior disponibilidade de água para a irrigação.
Em Capistrano, apontou-se as condições climáticas favoráveis como fator preponderante para esse aumento. Em Jucás, houve uma mudança no arranjo produtivo, com plantio em maior adensamento, o que elevou a expectativa de rendimento. Por fim, em Mulungu aponta-se a melhoria nos tratos culturais como fator preponderante para esse aumento.
Área plantada
No município de Varjota, houve aumento tanto de área quanto da expectativa de rendimento. O aumento de área ocorreu em virtude da maior procura local pelo produto. O aumento na expectativa de rendimento ocorreu devido à maior disponibilidade de água para irrigação.
Como resultado, a expectativa de produção até o final de 2024 é de 404.654 toneladas, representando aumento de 0,66%, comparado à expectativa de produção o mês anterior (402.009 t), aumento de 1,20%, comparado à primeira expectativa (399.849 t) e de 5,01%, em relação à safra obtida em 2023 (385.352 t).
Ainda segundo o IBGE, a quantidade produzida foi estimada em 4,2 milhões de toneladas, aumento de 0,5% em relação a março, sendo justificado pelo incremento de área (0,4%) e do rendimento médio (0,1%). Em relação a 2023, houve crescimento de 6,3% na produção, em razão, principalmente, ao aumento do rendimento, de 5,9%, que alcançou 74 374 kg/ha.
Fortaleza será o centro da agenda sobre o agronegócio com o 7º Seminário Água Innovation, que será realizado nos dias 12 e 13 de novembro, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Reunindo especialistas, empresários e representantes do poder público dos âmbitos municipal, estadual e federal dos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, a iniciativa tem como objetivo principal contribuir com o aumento da sustentabilidade, da competitividade e da produtividade, contemplando da agricultura familiar à agroindústria, com a finalidade de estabelecer cinco prioridades para o setor. As inscrições são gratuitas.
Os temas evidenciados na programação são: políticas estaduais e federais para ampliar a segurança hídrica na região; modelos de geração de energia para dar suporte ao desenvolvimento da produção no meio rural; e estratégias para gerar desenvolvimento socioeconômico nas áreas produtivas por meio da geração de empregos e da conquista de novos mercados. Também serão debatidas aplicações da tecnologia de inteligência artificial (IA) no agronegócio.
Tomates cearenses
Segundo o presidente da Sallto, empresa comprometida com o desenvolvimento agrícola e realizadora do evento, Carlos Matos, o item do agronegócio do Ceará que mais se expande é o tomate, que alcança 6,8% do valor bruto da produção nacional, sendo cultivado na região que compreende as cidades de São Benedito e Ubajara.
O estado é o maior exportador de banana para a Europa. Produzimos 57% do camarão do país, além de sermos um estado com grande produção de leite.
Além disso, a maior produção de pimentão de alta qualidade é cultivada aqui. “A tomaticultura cearense, que vem se destacando no cenário nacional, pode ser triplicada com o aperfeiçoamento do modelo de gestão dos recursos ambientais. Esse e tantos outros exemplos demonstram o potencial do agronegócio e nosso intuito é fomentar ações práticas para essa alavancagem”, afirma Carlos Matos.
Modelos produtivos
Segundo Matos, a implementação de modelos produtivos mais sustentáveis tem uma forte referência em Israel, país situado no árido Oriente Médio, que irriga quatro vezes mais que o Ceará com a mesma quantidade de água.
Em outra frente, a Embrapa Agroindústria Tropical Ceará desenvolveu processo tecnológico para viabiliza o cultivo de tomate-cereja em substrato de casca de coco. Por esse método, as plantas se desenvolvem em vasos ou sacos contendo o substrato, na Serra da Ibiapaba.
O cultivo é realizado em estufas e telados e as necessidades hídricas e nutricionais das plantas são supridas com a aplicação de soluções nutritivas. O processo resultou em produtividade da cultura 33% superior à tradicionalmente obtida na região, além de se apresentar como uma alternativa econômica e ambientalmente sustentável.






