O mercado de aluguel por temporada se consolidou como um dos segmentos mais dinâmicos da economia compartilhada. Avaliado em mais de US$ 100 bilhões anuais, segundo estimativas da Statista, ele reúne milhões de imóveis anunciados em plataformas como o Airbnb, que atualmente soma mais de 8 milhões de anúncios ativos em todo o mundo. Mas, enquanto a tecnologia simplificou a reserva e a distribuição dessas propriedades, a operação diária ainda representa um desafio para quem investe em imóveis longe de onde mora.
Foi justamente essa lacuna que levou o empresário e publicitário Diego Meireles a fundar a LocMe. Ex-executivo do Grupo Record e atualmente à frente da D Meireles Solutions, Inc., empresa constituída no Texas, ele desenvolveu um marketplace que conecta proprietários de imóveis de temporada a operadores locais verificados, responsáveis por atividades como check-in, limpeza, inspeções, reposição de itens e atendimento aos hóspedes.
“O Airbnb resolveu a distribuição. Ninguém resolveu a operação”, afirma Meireles. “Hoje, o anfitrião publica um anúncio em poucos minutos, mas precisa coordenar diferentes profissionais sempre que recebe uma reserva. Nossa proposta é reunir toda essa gestão em uma única plataforma”, explica Diego.
Segundo levantamento da própria LocMe, elaborado a partir de dados do Airbnb e da AirDNA, mais de 3 milhões de imóveis destinados ao aluguel por temporada são administrados remotamente. Trata-se de propriedades adquiridas por investidores que vivem em outras cidades ou até em outros países e dependem de terceiros para garantir que a experiência do hóspede aconteça sem imprevistos.
Na prática, essa operação costuma ser descentralizada. Um profissional realiza a limpeza, outro entrega as chaves, enquanto o proprietário acompanha tudo à distância. Quando algum processo falha, o impacto costuma aparecer rapidamente nas avaliações da plataforma, afetando diretamente a ocupação e a rentabilidade do imóvel.
De acordo com Diego, a proposta da LocMe é concentrar essa operação em um único ambiente. “Após conectar o imóvel à plataforma, o proprietário importa automaticamente suas reservas do Airbnb e define as tarefas necessárias para cada hospedagem. O sistema identifica Stay Managers próximos ao endereço, profissionais cadastrados e avaliados pela plataforma, que executam os serviços conforme a demanda”.
O pagamento também segue um modelo semelhante ao adotado por grandes marketplaces: o proprietário contrata o serviço, mas o valor somente é liberado ao Stay Manager depois da conclusão da atividade, comprovada por registros fotográficos realizados dentro da própria plataforma.
Além de atender investidores, o modelo busca criar uma nova oportunidade de renda para moradores das cidades onde atua. Os Stay Managers trabalham como profissionais independentes, escolhem os serviços que desejam realizar e constroem reputação por meio das avaliações recebidas.
Antes de empreender nos Estados Unidos, Diego Meireles construiu carreira durante nove anos no Grupo Record, onde liderou projetos digitais e comerciais para marcas como Ambev, Santander, Bradesco, Nestlé, P&G e McDonald’s. Posteriormente, passou a atuar na estruturação de empresas por meio da DMG Group e, na LocMe, acumula as funções de fundador, arquiteto do produto e desenvolvedor da plataforma, atualmente disponível em seis idiomas.
A estratégia de crescimento da startup segue um modelo comum entre marketplaces: consolidar oferta e demanda em mercados específicos antes da expansão. O projeto-piloto acontece inicialmente na Califórnia e em Orlando, dois dos principais polos de aluguel por temporada dos Estados Unidos.
O Brasil já integra o planejamento da empresa para a próxima fase. A LocMe abriu lista de espera para proprietários de imóveis e futuros Stay Managers nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará e Bahia, regiões com forte presença de imóveis destinados à locação de curta temporada.
Com a expansão prevista para os próximos meses, a expectativa da empresa é ocupar um espaço ainda pouco explorado no setor: oferecer infraestrutura operacional para um mercado que já encontrou escala na distribuição, mas ainda depende de soluções fragmentadas para funcionar no dia a dia.






