O avanço das stablecoins e das soluções de pagamentos digitais vem redesenhando a forma como o dinheiro circula globalmente. Esse movimento já impacta a liquidação de transações e, principalmente, o papel de bancos e intermediários financeiros.
À medida que volumes trilionários passam a circular em ativos digitais atrelados ao dólar, a disputa deixa de ser apenas tecnológica. Agora, o foco está no controle da infraestrutura. Ou seja, em quem controla a liquidação e a custódia dos ativos.
Nesse contexto, a LiberPay, fintech norte-americana, escolheu o Brasil como mercado de estreia para sua plataforma de pagamentos em stablecoins.
Brasil como laboratório global de pagamentos digitais
A escolha do Brasil não foi aleatória. Pelo contrário, ela foi construída ao longo de anos de desenvolvimento.
Segundo o cofundador da LiberPay, Tobias Kleitman, o país reúne três fatores essenciais: adoção de pagamentos digitais, ambiente regulatório em evolução e forte uso de soluções instantâneas como o Pix.
“Queríamos um lugar seguro e, ao mesmo tempo, mais avançado do que os Estados Unidos em termos de regulação e adoção dessa tecnologia”, afirma.
Além disso, o interesse pela América Latina surgiu a partir de conversas com especialistas do setor. Esses diálogos apontaram uma demanda crescente por ativos dolarizados, como USDC e USDT, especialmente em economias com volatilidade cambial.
No Brasil, esse cenário foi confirmado por estudos de mercado e análises jurídicas.
Um mercado pronto para o dinheiro digital
Na avaliação da empresa, o Brasil já apresenta um ecossistema digital maduro.
Há cerca de 25 milhões de usuários com carteiras digitais. Além disso, o Pix consolidou o hábito de pagamentos instantâneos no país.
Somado a isso, existe uma demanda clara por ativos em dólar.
“Os dados mostravam que as pessoas já estavam preparadas para esse tipo de solução”, explica Kleitman.
O que diferencia a LiberPay no mercado
A LiberPay não atua como intermediária financeira tradicional. E esse é um ponto central.
A plataforma não é uma money transmitter. Também não opera como custodiante de ativos.
Em vez disso, cada comerciante cria seu próprio gateway de pagamento. Isso ocorre por meio de smart contracts na blockchain Polygon.
Na prática, isso significa controle direto sobre os fundos.
“Não temos acesso ao dinheiro em nenhum momento. O comerciante controla totalmente o próprio gateway”, afirma Kleitman.
Além disso, o modelo permite escalabilidade. Cada empresa pode ter um ou vários gateways, dependendo da sua operação.
Custódia própria e recibos tokenizados
Outro diferencial está na estrutura das transações.
A cada pagamento, a plataforma gera dois NFTs. Um fica com o cliente. O outro com o comerciante.
Esses tokens funcionam como recibos digitais. Eles registram valor, data, partes envolvidas e descrição da transação.
Dessa forma, a operação ganha transparência e rastreabilidade.
“É um registro imutável da transação. Isso traz confiança para ambos os lados”, explica o executivo.
Experiência simplificada, como o Pix
Apesar da base tecnológica complexa, a experiência do usuário foi simplificada.
Os pagamentos são feitos por QR Code ou link. O usuário pode utilizar carteiras como MetaMask, Trust Wallet ou Coinbase Wallet.
Ainda assim, não é necessário entender de blockchain para usar o sistema.
“O objetivo é justamente esse. O usuário só paga. Simples assim”, diz Kleitman.
Estratégia de entrada no Brasil
A entrada da LiberPay no país combina três frentes principais.






