O Ibovespa fechou com alta de 0,03%, aos 153.338,63 pontos, um ganho de 44,19 pontos, mais um recorde de fechamento, o nono seguido. É a décima segunda alta seguida, algo que não acontecia desde os pregões entre 15 de maio e 2 de junho de 1997. Lá se vão 28 anos.
Claro, renovou também a máxima histórica, e pelo sétimo dia consecutivo, com 154.352,25 pontos. Sim, ultrapassou os 154 mil pontos pela primeira vez na história. O Ibovespa está é dançando um carimbó na cara da sociedade, fazendo tão bonito quanto os devotos do Círio de Nazaré.
O real também está animado e se valorizou mais uma vez, com o dólar comercial recuando 0,24%, a R$ 5,348. Os DIs (juros futuros) subiram por toda a curva, após as quedas de ontem.
Copom segue duro com a taxa de juros
Tão certo quando a chuva em Belém às cinco da tarde foi a manutenção da taxa Selic em 15% anteontem pelo Copom. Ninguém esperava nada diferente.
Na verdade, houve sim uma frustração. “O comunicado não trouxe mudanças substanciais que nos fizessem concluir que estamos nos aproximando do início do ciclo de corte de juros no Brasil”, afirmou a equipe da Ágora Investimentos. “O BC segue firme com seu compromisso de levar a inflação o mais próximo possível da meta de 3%”, acrescentou, alterando o cenário-base do primeiro corte de juros para março de 2026.
Leonardo Costa, economista do ASA, disse que no comunicado “o tom segue mais duro, contrariando a expectativa de parte do mercado”.
Isso, aliado às quedas amplas que se viu em Wall Street, tudo levaria a crer que o Ibovespa sucumbiria finalmente. Não foi o que aconteceu.
Perdas em Nova York
Em Nova York, as vendas de empresas de tecnologia foram retomadas, derrubando os principais índices.
“Do ponto de vista da avaliação, muitas dessas empresas estavam com preços tão elevados e especulativos que estamos vendo no mercado uma certa dicotomia entre empresas que estão superando as expectativas e elevando suas projeções, e aquelas que talvez estejam superando as expectativas de receita, mas fornecendo projeções tímidas para o lucro líquido ou para o resultado operacional”, disse à CNBC Mike Mussio, presidente da FBB Capital Partners. “É a diferença entre algumas dessas empresas terem um aumento de dois dígitos nos lucros e outras terem uma queda de dois dígitos, e não há muitas situações intermediárias”.
Fiscal e tarifaço
Nada abalou o mercado doméstico. Nos ingredientes do tacacá econômico brasileiro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ainda disse que “o fiscal não vai explodir em 2027, como não explodiu, por exemplo, quando fizemos a PEC da Transição”. Entre falar e acontecer, há uma distância, mas a Bolsa vai saboreando o ânimo que tem.
Aconteceu mais: o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado em dezembro de 2024, deve ser assinado no dia 20 de dezembro. É mais uma alternativa ao tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, em um mercado altamente competitivo.






