O próximo movimento do Bitcoin deve ser influenciado pelo comportamento do mercado de títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela divulgação dos novos dados de inflação americana. Em meio à pressão sobre os ativos de risco, investidores acompanham os rendimentos dos títulos públicos e as perspectivas para a política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA.
De acordo com uma análise de mercado da exchange Bitunix, os rendimentos dos Treasuries de longo prazo atingiram níveis não vistos em décadas, aumentando a atratividade dos títulos públicos em relação a ativos mais voláteis, como as criptomoedas. O rendimento dos papéis americanos de dez anos chegou a superar 5,35%, enquanto o Bitcoin recuou para abaixo de US$ 82 mil no período analisado.
A relação entre os títulos públicos e o Bitcoin está ligada, principalmente, à disposição dos investidores para assumir riscos. Quando os rendimentos dos Treasuries aumentam, aplicações consideradas mais seguras passam a oferecer retornos mais competitivos. Como o Bitcoin não paga juros periódicos, o cenário pode estimular parte do mercado a reduzir a exposição à criptomoeda.
Além disso, a alta dos rendimentos pode elevar os custos de financiamento e pressionar outros ativos sensíveis às taxas de juros, como ações de tecnologia e empresas ligadas ao setor cripto. Por outro lado, uma queda consistente nos rendimentos tende a aliviar as condições financeiras e pode favorecer a procura por investimentos de maior risco.
O mercado também aguarda o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos, referente a setembro, previsto para quarta-feira (14). Economistas consultados pelo The Wall Street Journal projetam alta mensal de 0,6% e inflação anual de 3,6%, acima dos 3,4% registrados em agosto. O resultado será importante para avaliar a trajetória dos preços e as próximas decisões do Federal Reserve.
Uma inflação acima das expectativas pode reforçar a perspectiva de juros elevados por mais tempo, pressionando os títulos de longo prazo e reduzindo o apetite por criptomoedas. Já um resultado mais moderado pode aliviar os rendimentos dos Treasuries e favorecer uma recuperação dos ativos de risco. A reação do mercado, contudo, dependerá também de como os investidores interpretarem os dados em relação às perspectivas econômicas.
Nesta terça-feira, o Bitcoin apresentou recuperação após recuar para cerca de US$ 81.222 durante a madrugada. A criptomoeda avançou aproximadamente 1%, negociada perto de US$ 83.813, enquanto os rendimentos dos títulos americanos e o dólar perderam força. O movimento reforçou a atenção dos investidores à relação entre as condições macroeconômicas e o desempenho do mercado cripto.
Além dos dados de inflação, os investidores acompanham os fluxos dos ETFs à vista de Bitcoin e a demanda efetiva pela criptomoeda. Para analistas, uma recuperação mais consistente dependerá não apenas de um possível alívio nos rendimentos dos títulos, mas também da entrada de novos recursos no mercado. Até que esses sinais se consolidem, o Bitcoin poderá continuar sensível às mudanças nas expectativas para os juros americanos.






