O Ceará vive um novo ciclo de empreendedorismo. Entre janeiro e junho de 2025, o estado registrou a abertura de 74.777 novas empresas, um aumento de 34,06% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados, divulgados pela Junta Comercial ddo Ceará (Jucec), apontam para um grande movimento de formalização, impulsionado por inovações digitais, programas de estímulo e mudanças no perfil do trabalhador.
O setor de serviços foi o grande protagonista do semestre, com 50.771 empresas abertas, o que representa um salto de 40,51% em relação a 2024.
O comércio também avançou, com 18.999 novos registros (alta de 24,28%), seguido pela indústria, com 5.007 formalizações (crescimento de 14,84%). Para o presidente da Jucec, Eduardo Jereissati, os números são reflexo de um ambiente de negócios mais atrativo. “Estamos avançando na digitalização e na simplificação dos serviços para dar mais agilidade, autonomia e oportunidade a quem quer empreender”, destacou.
A cultura empreendedora também vem ganhando força no Interior do Estado, impulsionada por ações de promovidas em parceria com o Sebrae e prefeituras locais. Essa mobilização tem contribuído para ampliar o acesso à informação, à formalização e à geração de renda em regiões menos atendidas historicamente. Segundo o analista do Sebrae Ceará, Alan Girão, o microempreendedor individual tem sido o protagonista dessa onda. “Percebemos que o grande crescimento hoje das empresas no Ceará é trazido pelo microempreendedor individual, que contribui com mais de 60% dos negócios formalizados no período”, afirma. Ele aponta que a busca por autonomia financeira e flexibilidade tem motivado muitas pessoas a empreender, especialmente diante das dificuldades de inserção no mercado formal de trabalho.
Alan destaca ainda o papel do Sebrae no apoio aos negócios desde o início. “Contribuímos no período inicial do negócio, pós-formalização, para explicar como o empreendedor mantém o seu negócio de maneira regular. Temos orientações especializadas, capacitações presenciais em todos os 184 municípios e ferramentas que estimulam o empreendedor”, explica o analista.
Outro dado interessante diz respeito à participação feminina na formalização de empresas. De janeiro a junho, foram formalizadas 18.955 (64,81%) empresas de mulheres na categoria, enquanto comércio e indústria ficaram nas marcas de 8.028 (27,45%) e 2.263 (7,74%) negócios, respectivamente. Camila Coelho, diretora do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Ceará (Sescap-CE) entende que empreender é uma forma de conciliar a rotina doméstica, os cuidados com os filhos e a vida profissional. “Em muitos casos, os pequenos negócios começam dentro de casa, então eles se constituem como uma alternativa que oferece tanto independência financeira, quanto realização pessoal”, revela.
Negócios
O empreendedor Thiago Nogueira, à frente da Locx Rent a Car, que atua no ramo de aluguel de veículos, conta que o aumento da demanda está ligado às facilidades percebidas pelos clientes. “Hoje a maioria dos clientes não quer ter despesas fixas, como manutenção do veículo, IPVA, licenciamento e seguro. Optam por aluguéis mensais por ser literalmente vantajoso”, conta.
Thiago observa que o negócio tem crescido não apenas entre turistas, mas também junto a empresas e órgãos públicos. Porém, nem tudo são facilidades: “Não é de hoje que o empresário enfrenta uma série de burocracias e de problemas, fora tarifas, taxas e impostos. No entanto, a maior dificuldade hoje é a mão de obra, que a cada dia está mais escassa. E no cenário cearense não seria diferente”, explica.
Apesar dos obstáculos, ele aposta nas tecnologias como aliadas: “Hoje o WhatsApp se tornou uma ferramenta fundamental dentro da empresa. Dá mais agilidade e segurança no processo de locação, além de facilitar a comunicação”, pontua Thiago.






