Os Estados Unidos ampliaram sua ofensiva estratégica sobre o mercado global de terras raras e se preparam para investir em mais um projeto mineral no Brasil, em meio à disputa geopolítica com a China pelo controle desses minerais considerados essenciais para tecnologias avançadas, veículos elétricos, inteligência artificial e sistemas de defesa.
O movimento ocorre após a empresa americana USA Rare Earth anunciar a aquisição da mineradora brasileira Serra Verde, dona da única mina em operação comercial no Brasil capaz de produzir e processar terras raras em larga escala fora da Ásia. O negócio, avaliado em cerca de US$ 2,8 bilhões, deve ser concluído ainda este ano.
Além da Serra Verde, empresas estrangeiras também avançam sobre novos projetos em Goiás. A Aclara Resources desenvolve o projeto Carina, em Nova Roma (GO), voltado ao fornecimento de minerais estratégicos para os Estados Unidos. A expectativa é que o empreendimento ajude a reduzir a dependência americana da cadeia chinesa de processamento de terras raras.
O governo brasileiro vem sinalizando abertura para novos aportes internacionais no setor. Em reunião recente com executivos da Serra Verde, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o Brasil está aberto ao capital americano, desde que os investimentos respeitem a soberania nacional e contribuam para o desenvolvimento da cadeia mineral brasileira.
A corrida pelos minerais críticos ganhou força nos últimos meses diante do avanço da transição energética e do crescimento da demanda por componentes usados em turbinas eólicas, carros elétricos, chips e equipamentos militares. Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o Brasil pode receber até R$ 40 bilhões em investimentos ligados às terras raras nos próximos cinco anos.
Especialistas avaliam que o país vive uma “janela estratégica” para se consolidar como um dos principais fornecedores globais desses minerais. Atualmente, a China domina cerca de 90% do processamento mundial de terras raras, o que tem levado Estados Unidos e Europa a buscar novas cadeias de suprimento em países aliados, como o Brasil.






