Um dos grandes desafios da hidrogeologia sempre foi a definição dos Perímetros de Proteção de Poços (PPPs) de captação de águas subterrâneas. Este perímetro é a área ao redor de um poço onde as atividades de uso e ocupação têm o potencial de afetar tanto a qualidade como a quantidade de água que o poço captar.
Os PPPs são divididos em zonas, a depender da distância em que o poço se encontra destas atividades e o tempo de trânsito de uma partícula atingir esse poço a essas determinadas distâncias.
O Instituto Geológico do Estado de São Paulo – IG/SP lançou em 2010 um guia orientativo sobre a delimitação dos PPPs com base nos critérios definidos pelo Decreto Estadual nº 32.955, de 07/02/1991, que “dispõe sobre a preservação de depósitos naturais de águas subterrâneas do Estado de São Paulo, em seu artigo 20, estabelece uma categoria de área voltada à proteção sanitária e microbiológica da água captada pelo poço”.
De acordo com este Decreto, estas áreas correspondem às Zonas de Captura mais próximas do poço sendo definidas pelos artigos 24 e 25, divididas em dois perímetros:
- Perímetro Imediato de Proteção Sanitária: raio de 10 m a partir do poço, que deve ser cercado e protegido com telas, sendo que esta região deve estar resguardada quanto a entrada de poluentes;
- Perímetro de Alerta: área de proteção interna, destinada a proteção contra a contaminação microbiológica, considerando-se a distância a partir da captação, coaxial ao sentido de fluxo, com tempo de trânsito de 50 dias das águas no aquífero, para um poluente não conservativo.
Na figura a seguir é apresentado um exemplo de definição de PPP, com base no tempo de trânsito, e ainda a área considerada de recarga do poço, evitando que haja qualquer introdução de partículas poluentes nestas regiões, ou que se tenha tempo hábil para intervir de forma a garantir que a qualidade da água seja prejudicada. Ainda, é nestas zonas que também não devem ser instalados novos poços, evitando-se assim o seu esgotamento.
Figura 1. Delimitação de PPPs com base no tempo de trânsito e no método de raio fixo (Fonte: http://www2.epa.gov/sites/production/files/documents/User_Manual.PDF)
Os PPPs geralmente são dimensionados por meio de equações analíticas, que configuram zonas simétricas, a partir do ponto de captação, desconsiderando as variações geológicas existentes, conforme mostrado na figura acima. No artigo publicado em setembro de 2015 há uma melhor explicação sobre zonas de captura, que são os próprios PPPs, e as mesmas podem ter configurações diferentes a depender da distribuição litológica.
Então, o ideal seria a aplicação de modelos numéricos complexos para a definição dos PPPs, incluindo sua distribuição tridimensional. Como reflexão, pensem como seria um PPP de um poço, considerando alta variabilidade litológica em uma área, e quais as consequências desta PPP.
Sobre o autor
Marcio Alberto é empresário desde os 13 anos de idade. Fundador e CEO da GeoInovações, também é mestre e doutor em Geociências e Meio Ambiente e especialista em Modelagem Matemática e inovação para gestão inteligente de recursos hídricos. Para saber mais sobre o assunto tratado no artigo, entre em contato através do e-mail [email protected].






