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Pesquisa da JOI Brasil revela impacto do microcrédito em PMEs brasileiras e desafios no Nordeste

Redação por Redação
16 de outubro de 2024
em Nordeste
Pesquisa da JOI Brasil revela impacto do microcrédito em PMEs brasileiras e desafios no Nordeste

Foto: iStock

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A JOI Brasil, uma iniciativa criada pela J-PAL para qualificar o debate sobre o mercado de trabalho brasileiro, divulgou os resultados de um estudo global que aborda o impacto do microcrédito no desenvolvimento econômico e na geração de empregos, com foco especial nas Pequenas e Médias Empresas (PMEs).

O estudo, que analisou dados de 150 países e contou com a colaboração do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), destaca o acesso ao financiamento como o principal obstáculo enfrentado por PMEs e microempreendedores. Esses dois grupos são responsáveis por cerca de 70% dos empregos formais em países de renda média e baixa.

Em 2018, aproximadamente 140 milhões de pessoas no mundo foram beneficiadas por programas de microcrédito. A América Latina e Caribe (ALC) possui uma participação significativa no mercado global de microcrédito, representando 44% do total, com uma carteira de crédito de 48,3 bilhões de dólares.

No Brasil, programas como o CrediAmigo, do Banco do Nordeste, desempenharam um papel importante, aumentando em 30% o uso de crédito por mulheres empreendedoras e gerando um crescimento médio de 15% nos lucros das microempresas beneficiadas na região.

Embora o microcrédito tenha se popularizado, o estudo ressalta que os impactos diretos sobre a renda e o consumo nem sempre são expressivos. “No entanto, quando o microcrédito é combinado com estratégias específicas, como prazos de reembolso mais longos e a vinculação do financiamento à aquisição de ativos produtivos, os resultados se tornam mais significativos”, explica André Mancha, gerente da JOI Brasil.

O relatório destaca como exemplo de sucesso a Índia, onde práticas de microcrédito flexível aumentaram os lucros das empresas participantes em 20%. No Brasil, apesar da disponibilidade de microcrédito, o Nordeste ainda enfrenta grandes desafios: “A taxa de cobertura de microcrédito na região é inferior a 25%, o que reforça a necessidade de expansão para impulsionar o crescimento econômico e reduzir a pobreza. No entanto, em áreas onde o microcrédito é implementado de forma estratégica, como no caso do CrediAmigo, houve um aumento de 10% no número de novos negócios entre 2017 e 2019”, ressalta Mancha.

O estudo “Evidências sobre políticas de mercado de trabalho e implicações para o Brasil: Microcrédito” também reforça a importância de incentivar o pagamento regular dos empréstimos. Em países como Guatemala e Malawi, o uso de dados compartilhados e incentivos financeiros para clientes adimplentes elevou a taxa de reembolso para 95%, resultando em menores custos para os credores e juros mais acessíveis.

Desigualdade de gênero no acesso ao microcrédito

Programas de microcrédito voltados para mulheres têm sido uma das principais estratégias globais. Em 2018, as mulheres representaram 80% dos clientes de microcrédito em todo o mundo, conforme o Barômetro de Microfinanças realizado pela Convergences, primeira plataforma europeia cuja missão é promover debates, mobilizar ações e incentivar parcerias e soluções inovadoras.

No entanto, elas ainda enfrentam dificuldades de acesso ao crédito. Na Argentina, apenas 20,5% das empresas lideradas por mulheres utilizaram crédito bancário, em comparação a 42,9% das lideradas por homens. No Brasil, porém, a linha “CrediAmigo Delas” mostrou ser uma exceção, com as mulheres recorrendo ao financiamento mais do que os homens. Entre janeiro e agosto de 2022, foram realizados cerca de 199 mil empréstimos, totalizando R$ 500 milhões, com um valor médio de R$ 2.575 por operação.

Para ampliar os efeitos positivos do microcrédito no Brasil, o estudo sugere a expansão da rede de microfinanças e a flexibilização dos programas de empréstimo. Associar o crédito a ciclos produtivos, como realizado nos programas de financiamento agrícola na Zâmbia e Mali, pode ser uma solução viável no contexto brasileiro. Além disso, políticas públicas mais inclusivas e o uso de tecnologias digitais podem ser essenciais para ampliar o alcance dessa ferramenta, que é fundamental para o desenvolvimento econômico do país.

Sobre o J-PAL  

O Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab (J-PAL) tem como missão combater a pobreza global por meio de políticas públicas baseadas em evidências sólidas. A organização, que realiza avaliações aleatorizadas, utiliza uma abordagem inovadora para medir o impacto real de intervenções sociais.

Fundado por Abhijit Banerjee, Esther Duflo e Michael Kremer, vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2019, o J-PAL conta com mais de 900 pesquisadores de 91 universidades ao redor do mundo. A organização conecta pesquisa e ação, promovendo a criação de políticas baseadas em dados concretos.

O J-PAL estabelece parcerias estratégicas com governos e organizações, influenciando debates sobre temas como proteção social e educação infantil. Ao longo de sua trajetória, já participou de mais de 40 projetos com organizações brasileiras, gerando impacto positivo com suas pesquisas e treinamentos.

Com forte presença em debates públicos e comprometido em transformar a vida de milhões de pessoas, o J-PAL segue criando pontes entre ciência e ação para moldar o futuro do Brasil e do mundo.

Em maio de 2021, o J-PAL lançou a Jobs and Opportunities Initiative (JOI) no Brasil, que possui parceria com a Fundação Arymax, a B3 Social, a Fundação Tide Setubal, a Potencia Ventures, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, e o Insper.

Através do fortalecimento de ações inovadoras e do fomento às pesquisas rigorosas, a JOI Brasil busca qualificar o debate sobre o mercado de trabalho brasileiro e disseminar o conhecimento adquirido para governos, sociedade civil, empresas e fundações no país. Pesquisas ancoradas em evidência científica ajudarão a identificar o que realmente funciona e escalar os mecanismos que consistentemente impactam as vidas das pessoas.

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