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Porto do Pecém: de que maneira o complexo impulsiona as exportações do agronegócio no Ceará

Carla Santiago por Carla Santiago
10 de agosto de 2026
em Nordeste
Porto do Pecém: de que maneira o complexo impulsiona as exportações do agronegócio no Ceará

Reprodução

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O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) se consolidou como a principal porta de saída das mercadorias do agronegócio cearense. Frutas e pescados, por exemplo, são produtos que se beneficiam da infraestrutura existente para ganhar mercados internacionais.

Em 2025, considerando somente os principais produtos movimentados pelo porto, mais de 3% foram do agronegócio, e tiveram como destino o exterior, de acordo com dados do próprio Cipp.

Isso inclui principalmente as frutas. Dados da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) apontam que o Pecém é o porto por onde são exportados metade da produção nacional dos produtos.

Especialistas ouvidos pela reportagem enumeram as vantagens competitivas do complexo, que abrange, além do porto, um complexo industrial e logístico que centraliza as operações que beneficiam o agronegócio do Estado.

Quais produtos do agronegócio cearense são exportados pelo porto?

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e do ComexStat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que as maiores cargas exportadas pelo Porto do Pecém são de produtos relacionados a ferro, aço e derivados.

 

Especificamente sobre o agronegócio, o Cipp elenca que os principais produtos exportados pelo porto somaram 245,4 mil toneladas em 2025, 3,1% de todas as mercadorias comercializadas com o exterior via Pecém no ano passado.

 

O destaque absoluto fica para frutas, cascas de frutas cítricos e melões. Em 2025, foram enviadas 190,6 mil toneladas dos produtos para o exterior. O número representa uma alta de 14% em relação ao ano anterior.

A partir do Pecém, os países que mais recebem os produtos do agronegócio cearense são:

  • China: cera de carnaúba;
  • Egito: castanha de caju;
  • Estados Unidos: água de coco, couros e peles, extratos vegetais, flores e produtos de floricultura, mel e derivados, pescados e sucos de frutas;
  • Guiana: carnes e produtos de origem animal;
  • Libéria: produtos hortícolas;
  • Países Baixos: frutas.

Por que o Pecém é estratégico para o comércio internacional?

Em termos financeiros, as exportações cearenses em 2025 totalizaram US$ 498 milhões (pouco mais de R$ 2,5 bilhões), o que representa aproximadamente 1% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado no ano passado.

Cerca de 50% das frutas produzidas no Brasil saem via Pecém, como enfatiza a Abrafrutas, especialmente pela vantagem competitiva concentrada na localização estratégica do porto.

 

“Reduz o tempo de trânsito marítimo até a Europa, o que preserva melhor a qualidade, amplia a vida útil dos produtos e reduz perdas logísticas. Essa eficiência é fundamental para produtos altamente perecíveis, como as frutas”, explica Eduardo Brandão, diretor-executivo da entidade.

 

O representante da Abrafrutas frisa ainda que o porto exporta também frutas provenientes de outros estados, como Pernambuco e Rio Grande do Norte. Os alimentos têm como principal destino o mercado europeu, em especial Países Baixos, nação que mais recebe, a nível estadual e nacional, os produtos.

“Tendo o Nordeste como principal região produtora de frutas no Brasil e a União Europeia como destino de aproximadamente 70% do volume de frutas exportadas pelo País, o Pecém tem papel relevante. Além da localização estratégica, há estrutura adequada para esse tipo de operação via contêineres refrigerados”, acrescenta Brandão.

Desafios e perspectivas para as exportações do agronegócio pelo Pecém

O alto fluxo de mercadorias do agro cearense para a Europa é ressaltado por Amílcar Silveira, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec). Ele destaca que os benefícios são possíveis pelo fato de o Porto de Roterdã, nos Países Baixos, deter uma fatia de 30% do porto cearense.

O presidente da Faec reforça que a infraestrutura encontrada no Pecém é bastante atrativa para o agronegócio, mas é preciso desenvolver melhor a agroindústria, utilizando a próprio Cipp para isso.

 

“A agroindústria é fundamental. Queremos utilizar uma parte do porto para isso. O Ceará precisa ser mais agressivo nas exportações do agronegócio, pois essa é a nossa vocação”, expõe.

 

A chegada da Transnordestina ao Pecém, na análise de Silveira, “vai desenvolver o setor”, em especial no Sertão Central e no Centro-Sul, cujas mercadorias devem alcançar o porto.

Embora avalie que o agronegócio cearense encontre condições ideais para escoar a produção pelo porto, Augusto Fernandes, CEO da JM Negócios Aduaneiros, classifica que é essencial enxergar o Cipp como uma cadeia que atue também em prol da agropecuária do Estado.

“O Pecém já é um dos principais equipamentos do Nordeste, mesmo sem outros recintos alfandegados que poderiam ser feitas essas estruturas para o agronegócio”, aponta.

Isso inclui outras estações aduaneiras para além da localizada dentro do próprio Pecém, encontradas em outros portos similares, como Suape (PE).

Outro ponto ressaltado por Augusto é a falta de locais de armazenagem refrigerada de mercadorias. O primeiro deles foi aberto apenas em 2025, o que acaba encarecendo o preço dos itens agropecuários.

“Suape e Salvador são portos com alta concorrência, e aqui temos poucas câmaras frigoríficas, com eventual estocagem de mercadorias. Contêineres para frutas e pescados são caros. Precisamos também de embalagens para sucos, castanhas, entre outros. Isso reduz a perda”, opina.

Tags: agronegóciosnordeste

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