A malha rodoviária do Ceará vive um cenário preocupante que tem impacto direto sobre o transporte de cargas e a competitividade do Estado. Segundo o Panorama Logístico do Nordeste 2025, elaborado pela Infra S.A., estatal vinculada ao Ministério dos Transportes, a maior parte das rodovias cearenses estão em situação regular ou ruim, refletindo um problema estrutural que atinge todo o Nordeste.
Mesmo sendo o terceiro Estado da Região que mais investe em infraestrutura rodoviária, com R$ 247,2 milhões aplicados em 2025, cerca de 9% de todos os investimentos públicos da região, o Estado enfrenta dificuldades para manter e modernizar suas estradas. O relatório aponta que quase 70% da malha rodoviária nordestina apresenta condições “regular”, “ruim” ou “péssima”, o que evidencia a urgência por ações mais consistentes de recuperação e duplicação.
Segundo a Infra S.A., 42,5% das rodovias avaliadas estão em situação regular, 20,2% em condição ruim e 7,6% em péssima, enquanto apenas 27,2% são consideradas boas e 2,5% ótimas.
“O investimento em manutenção rodoviária e na melhoria da infraestrutura da malha rodoviária para o aumento de capacidade das vias, principalmente considerando o grande volume de produção que é escoado pelo modo rodoviário, é fundamental para que a gente consiga reduzir o custo operacional, seja pelo menor consumo de combustível, menos manutenção e desgaste da frota, maior rapidez nos deslocamentos, redução de sinistros e ainda com redução da emissão de gases de efeito estufa, que é uma grande preocupação hoje para o setor. Esta premissa é válida para o transporte rodoviário de um modo geral”, afirma Jorge Bastos, presidente da Infra S.A.
Trechos
No Ceará, a situação merece atenção em trechos que conectam polos produtivos ao Complexo do Pecém, principal corredor de exportação do Estado. Estradas como a BR-116, BR-222, BR-020 e BR-304 enfrentam buracos, acostamentos degradados e sinalização deficiente, acarretando em problemas no transporte de grãos, frutas, minério de ferro e produtos siderúrgicos. Outras rodovias, no entanto, apresentam situação ruim. É o caso das CE-168, CE-060, CE-354 e CE-494.
O relatório da Infra S.A. mostra que 73% dos recursos investidos em rodovias no Nordeste foram destinados à manutenção, enquanto 19% financiaram adequações e duplicações e apenas 6% à construção de novas estradas. A concentração dos recursos em obras de conservação é vista como necessária, mas insuficiente diante da dimensão dos gargalos existentes.
O impacto da precariedade também se reflete na segurança viária e no custo logístico das empresas. Caminhoneiros enfrentam mais riscos de acidentes e desgaste de veículos, enquanto empresários arcam com custos maiores de manutenção e combustível. A situação tem efeito cascata sobre o preço final dos produtos, afetando consumidores e a competitividade das exportações.
Planejamento
Além dos problemas estruturais, o relatório alerta para a necessidade de planejamento integrado entre os modais. Hoje, a dependência quase total das estradas torna o transporte mais caro e menos eficiente. O futuro da logística no Nordeste passa pela integração das rodovias com ferrovias e portos, especialmente no caso do Ceará, que abriga um dos portos mais dinâmicos do País.
O presidente da Infra S.A destaca a importância do investimentos. “Os investimentos necessários incluem a melhoria da qualidade das estradas existentes e a modernização da infraestrutura de transportes como um todo. Para isso, a busca por projetos em parceria com a iniciativa privada tem sido primordial para reduzir o déficit de infraestrutura e acelerar a implantação de melhorias na malha viária, refletindo em benefícios para toda a sociedade”, conclui Jorge Bastos






