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Início ESG

Senado aprova proposta que estabelece um mercado de carbono regulado no Brasil

Carla Santiago por Carla Santiago
14 de novembro de 2024
em ESG
Senado aprova proposta que estabelece um mercado de carbono regulado no Brasil

Fonte: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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O Senado aprovou nesta última quarta-feira, 13, a regulamentação do mercado de créditos de carbono no Brasil. Pelo texto, empresas e países que ultrapassem um teto estabelecido de emissões de gases de efeito estufa (GEE) podem compensar as suas emissões excedentes a partir da compra de créditos vinculados a iniciativas de preservação ambiental.

O projeto de lei (PL) define a criação de duas modalidades no mercado de carbono: o mercado regulado, no qual a negociação de créditos de carbono ocorre com participação direta do governo e é obrigatória para determinados setores; e o mercado voluntário, em que organizações do setor privado compram e vendem créditos de carbono por iniciativa própria, para atender a metas de sustentabilidade, sem obrigação legal.

A decisão foi atrasada após discussões na Câmara e Senado sobre o repasse dos lucros com a venda de créditos de carbono a comunidades tradicionais, como grupos indígenas, quilombolas e assentados.

De acordo com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o Brasil tem potencial de aumento no PIB de 5% com o mercado regulado de carbono, o que equivale a um acréscimo de US$ 120 bilhões.

Impasse

O projeto de lei (PL), proposto pela senadora Leila Barros (PDT-DF), chega à discussão após meses de ida e vindas entre Câmara e Senado. Até a aprovação, o texto contava com 58 emendas ao texto original, que buscam corrigir desconexões da proposta original.

Outro ponto de atenção na votação era corrigir as similaridades com a PL 412/2022, que regulamenta o Mercado Brasileiro de Redução de Emissões. Apesar das mudanças, a relatora afirmou que a proposta seguia com 80% de semelhança com o texto original.

Para Bruna Araújo, gerente de finanças sustentáveis da WayCarbon, a demora da decisão pode atrasar ainda mais o desenvolvimento do mercado brasileiro de carbono. “Já temos o mercado regulado em ao menos 30 governos ao redor do mundo, além de quase 100 mecanismos de precificação do mercado voluntário já implementados. Agora, o Brasil precisa entrar nesta lista”, afirma.

A especialista explica que a lei em discussão hoje no Senado Federal ainda é ampla, funcionando como um esboço geral da regulação. Os detalhes específicos de como a lei será implementada devem ser definidos posteriormente, por meio de decretos.

Letícia Gavioli, coordenadora de finanças sustentáveis na WayCarbon, lembra que o debate sobre um sistema brasileiro de comércio de carbono começou em 2017.

Segundo a especialista, um mercado regulado de carbono oferece uma forma mais econômica de reduzir emissões do que o método de comando e controle – um sistema em que o governo impõe limites específicos de emissões ou exige o uso de tecnologias específicas — o que geralmente resulta em mais burocracia e custos elevados.

Benefícios ambientais

O mercado de carbono, por outro lado, permite que empresas busquem soluções mais flexíveis e econômicas para alcançar as metas de redução de emissões. “Se o custo de reduzir as emissões for muito alto para um setor, ele pode reduzir menos do que a meta e comprar cotas de emissões para compensar a diferença”, explica.

Ela também comenta que a criação de um mercado regulado de carbono pode impactar o mercado voluntário, dependendo do limite de aceitação para créditos voluntários (offsets). “No mercado internacional, muitos países permitem que até 10% das emissões sejam compensadas com offsets, mas, como a economia brasileira é grande, essa porcentagem pode ser ainda maior aqui,” explica.

Apesar da discussão ter se alongado a noite, as especialistas afirmam que nada será resolvido para já: após a aprovação no Senado, a discussão ainda passará pela Câmara e pela sanção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, mas até que o mercado esteja funcionando inteiramente, a demora pode ser de até 5 anos.

Tags: investimentosnegócios

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