A startup brasileira BIOINFOOD está transformando resíduos do babaçu em uma nova fonte de proteína vegetal, em uma iniciativa que une inovação tecnológica, sustentabilidade e geração de renda para comunidades tradicionais da Amazônia. A informação foi publicada pela Exame.
O projeto utiliza a farinha do mesocarpo do babaçu — parte do fruto que normalmente era descartada após a extração do óleo — para criar ingredientes ricos em proteína destinados à produção de hambúrgueres e outros alimentos plant-based. Com apoio financeiro de R$ 2,7 milhões do Fundo JBS pela Amazônia, a startup desenvolveu uma biotecnologia em parceria com o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) capaz de elevar em mais de quatro vezes o teor proteico da farinha, passando de 1,5% para cerca de 7%.
Segundo a reportagem, cerca de 62 mil pessoas vivem do extrativismo do babaçu em estados como Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. A iniciativa busca criar uma nova cadeia de valor para o fruto amazônico, aumentando a renda das comunidades extrativistas, especialmente das quebradeiras de coco, mulheres que tradicionalmente trabalham na coleta e processamento do babaçu.
A tecnologia desenvolvida pela BIOINFOOD utiliza processos de fermentação e hidrólise enzimática em biorreatores automatizados. Durante o procedimento, leveduras convertem os açúcares presentes na farinha em biomassa proteica, sem necessidade de novos cultivos agrícolas ou desmatamento. O ingrediente final apresenta textura fibrosa e sabor equilibrado, podendo ser aplicado diretamente pela indústria alimentícia.
O primeiro protótipo de hambúrguer vegetal produzido com a proteína derivada do babaçu já foi testado em laboratório. A startup também contou com o apoio da Rede Terra do Meio do Alto Xingu, no Pará, que colaborou com o fornecimento de amostras e articulação junto às comunidades locais.
De acordo com a Exame, o mercado global de proteínas alternativas pode movimentar US$ 88 bilhões nos próximos anos, impulsionado pela crescente demanda por alimentos sustentáveis. No Brasil, o segmento de produtos plant-based movimentou R$ 1,13 bilhão em 2024, registrando crescimento de 14% em relação ao ano anterior






