O Citi manteve a recomendação de compra para as ações da Usiminas (USIM5), mesmo diante da expectativa de um segundo trimestre com desafios para a divisão de mineração. Em relatório divulgado no domingo (5), o banco avaliou que o desempenho mais forte da siderurgia deve compensar parte das pressões e sustentar a tese de investimento na companhia.
Além disso, o Citi reiterou o preço-alvo de R$ 10 para os papéis. Considerando o fechamento de R$ 8,77 na última sexta-feira (3), o banco calcula um potencial de valorização de cerca de 14%.
Ao mesmo tempo, a instituição estima um dividend yield de 2,3%. Dessa forma, o retorno total ao acionista pode alcançar aproximadamente 16,3%, considerando a valorização das ações e o pagamento de dividendos.
Citi projeta alta do Ebitda da Usiminas no segundo trimestre
Para o segundo trimestre de 2026 (2T26), o Citi projeta que a Usiminas registre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 685 milhões.
O valor representa uma alta de 5% em relação ao primeiro trimestre e um avanço de 68% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo os analistas, o resultado deve refletir um desempenho operacional misto entre os segmentos da companhia.
Siderurgia deve sustentar os resultados
Na avaliação do banco, a divisão de aço continuará sendo o principal destaque do trimestre.
O Citi estima que o segmento registre Ebitda de R$ 605 milhões, o que representa crescimento de 11,2% na comparação trimestral e salto de 111% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Além disso, o banco espera um ambiente mais favorável para a siderurgia em 2026, impulsionado por preços médios mais elevados em diferentes linhas de produtos.
Segundo o relatório, tanto os clientes da distribuição quanto os industriais devem contribuir para esse cenário mais positivo.
Os analistas também projetam volumes praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior, tanto no mercado doméstico quanto nas exportações.
Por outro lado, o Citi observa que os descontos concedidos ao setor automotivo nas negociações de abril tendem a reduzir parte desse efeito positivo. Ainda assim, a instituição acredita que um ganho residual no mix de produtos ajudará a sustentar os resultados.
Além disso, o banco destaca que o ambiente de juros elevados no Brasil continua limitando a expansão do consumo de aço. Por isso, a expectativa é de crescimento de apenas 1% na demanda doméstica pelo produto em 2026.
Mineração deve pressionar o balanço
Enquanto a siderurgia deve apresentar um desempenho sólido, a divisão de mineração tende a pesar sobre o resultado consolidado.
O Citi projeta Ebitda de R$ 79 milhões para o segmento no segundo trimestre, queda de 29% em relação ao trimestre anterior e recuo de 31% na comparação anual.
Segundo o banco, embora os preços do minério de ferro tenham avançado levemente no período, a alta dos custos de frete deve reduzir significativamente a rentabilidade da operação.
Além disso, a expectativa é de menores volumes de vendas, fator que também deve limitar os resultados da mineração.
Citi revisa projeções para o minério de ferro
Para 2027, o Citi passou a projetar preço médio de US$ 92 por tonelada para o minério de ferro.
Ao mesmo tempo, o banco reduziu suas estimativas para os embarques da commodity no médio e longo prazo, passando a trabalhar com uma faixa entre 8,5 milhões e 9 milhões de toneladas.
Segundo os analistas, a revisão reflete principalmente a exaustão gradual de algumas minas e a estratégia da companhia de priorizar minério com teor mais elevado. Dessa forma, o banco acredita que a operação de mineração continuará enfrentando desafios, mesmo com preços mais favoráveis da commodity.