A Neoenergia informou nesta última quarta-feira (16) que celebrou contratos com a Nexus Manganês para implementação de autoprodução de energia eólica.
Em fato relevante, a companhia disse que a operação envolve a compra, pela Nexus, de participação de 6,9% do capital do empreendimento Canoas 3, que integra o complexo eólico Chafariz, de sua subsidiária Neoenergia Renováveis.
Também foram celebrados contratos de compra e venda de energia (PPAs) pelas partes.
Localizado na Paraíba, o complexo Chafariz é composto por 15 parques com capacidade instalada total de 471 megawatts (MW), sendo que 15 MW serão destinados para Nexus pelo prazo de 10 anos, iniciando em janeiro de 2026.
A operação já foi aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), acrescentou a Neoenergia.
Modelo de autoprodução ganha força no mercado livre
O avanço do mercado livre de energia no Brasil, especialmente após a ampliação do acesso ao Ambiente de Contratação Livre (ACL) para consumidores do Grupo A em 2024, tem impulsionado modelos como o de autoprodução via participação societária. Nesse formato, o consumidor adquire participação em uma usina ou parque gerador, equiparando-se legalmente a um autoprodutor de energia e, com isso, acessa benefícios regulatórios, como isenção parcial de encargos setoriais.
A estrutura também permite o fechamento de contratos bilaterais (PPAs) de longo prazo, com condições customizadas e maior controle sobre a origem da energia consumida. Para empresas que operam em setores intensivos em energia, como mineração, siderurgia e papel e celulose, o modelo representa uma ferramenta de gestão estratégica — tanto para mitigar riscos financeiros quanto para avançar em metas de sustentabilidade e certificações ambientais.
Complexo Chafariz é ativo estratégico da Neoenergia
O Complexo Eólico Chafariz, situado no sertão da Paraíba, é um dos maiores empreendimentos eólicos em operação da Neoenergia. Com 136 aerogeradores distribuídos por 15 parques, o ativo entrou em operação comercial em 2022 e possui conexão à rede por meio da Subestação Santa Luzia II, integrando-se ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
A entrada de novos sócios em partes do complexo representa uma estratégia da empresa para monetizar ativos, diversificar receitas e atender à demanda crescente de clientes corporativos por energia renovável de origem rastreável.
O contrato com a Nexus Manganês ilustra como a Neoenergia tem ampliado sua atuação no segmento de geração distribuída e mercado livre, com soluções que combinam geração, comercialização e serviços de valor agregado. A tendência acompanha o movimento de grandes consumidores rumo à autonomia energética, em um ambiente regulatório mais aberto e competitivo.
Energia eólica: pilar da expansão renovável
A energia eólica segue como um dos pilares da expansão da matriz elétrica brasileira, representando cerca de 12% da capacidade instalada nacional.
A região Nordeste, em especial, concentra grande parte desse potencial, com fatores de capacidade elevados e infraestrutura em expansão para escoamento da geração.






