O Brasil ganhou protagonismo em duas frentes consideradas decisivas para a transição energética global: a expansão do etanol de milho para o transporte marítimo e o avanço do capital chinês sobre minerais estratégicos no país. Os movimentos reforçam a posição brasileira como fornecedor-chave de insumos para uma economia de baixo carbono e ampliam o peso geopolítico nacional em cadeias produtivas globais.
No setor de biocombustíveis, o etanol de milho de segunda safra produzido no Brasil recebeu aprovação técnica da Organização Marítima Internacional (IMO) para uso potencial em embarcações comerciais. Trata-se do primeiro biocombustível do tipo no mundo a ter sua pegada de carbono oficialmente reconhecida pelo órgão regulador, um avanço que abre caminho para o uso comercial do combustível no transporte oceânico.
A certificação estabelece um índice de emissão de 20,8 gramas de CO₂ equivalente por megajoule para o etanol brasileiro, muito abaixo das 93,3 gramas atribuídas ao bunker fuel fóssil, principal combustível marítimo global. A medida coloca o Brasil à frente de concorrentes como os Estados Unidos na corrida por soluções energéticas limpas para um setor responsável por até 3% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Enquanto isso, a China intensifica sua presença na mineração brasileira, mirando minerais críticos como cobre, níquel, grafite, terras raras e nióbio — insumos essenciais para baterias, veículos elétricos, semicondutores e sistemas de armazenamento energético. Segundo dados recentes, os investimentos chineses no setor mineral brasileiro cresceram de forma acelerada e passaram a ocupar parcela estratégica da relação bilateral.
O avanço ocorre em meio à disputa global por cadeias produtivas ligadas à eletrificação e à segurança energética. Com grandes reservas minerais e matriz energética renovável, o Brasil se tornou peça-chave para a estratégia chinesa de verticalização industrial, conectando mineração, refino, produção de baterias e montagem automotiva em um mesmo ecossistema produtivo.
Especialistas avaliam que o desafio brasileiro será equilibrar a atração de capital estrangeiro com políticas de industrialização local, para evitar a simples exportação de matéria-prima e capturar maior valor agregado na nova economia verde.






