A cooperativa brasileira Copersucar está ampliando o uso de biometano produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar para substituir o diesel em sua operação logística, em um movimento que combina redução de custos e descarbonização do transporte pesado. Segundo reportagem do Capital Reset, o projeto, batizado de “BioRota”, já opera com 70 caminhões abastecidos com o combustível renovável em rotas entre usinas do interior paulista e o Porto de Santos.
A iniciativa começou em abril de 2024 e, desde então, permitiu substituir cerca de 5 milhões de litros de diesel, evitando a emissão de mais de 8 mil toneladas de CO₂. De acordo com o presidente da companhia, Tomás Manzano, a adoção do biometano também trouxe ganhos financeiros relevantes. “Na ponta do lápis, é cerca de 20% a 25% mais barato usar o biometano”, afirmou ao veículo.
O modelo adotado pela cooperativa não envolve a compra direta de caminhões. Em vez disso, a Copersucar garante contratos de frete de longo prazo e o fornecimento contínuo do combustível renovável às transportadoras parceiras, que assumem o investimento nos veículos movidos a gás. Atualmente, cinco empresas participam da operação logística.
O biometano utilizado na frota é produzido pela usina Cocal a partir da biodigestão da vinhaça e da torta de filtro — resíduos gerados no processamento da cana. A planta localizada em Paraguaçu Paulista possui capacidade de produção de 60 mil metros cúbicos diários do combustível, enquanto a unidade de Narandiba produz 25 mil metros cúbicos por dia.
A estratégia reforça a aposta do setor sucroenergético no biometano como alternativa para a transição energética. Estudos ligados à Copersucar indicam que o combustível renovável pode reduzir em mais de 90% as emissões de gases de efeito estufa no transporte pesado, além de apresentar custo inferior ao diesel.
O avanço ocorre em um momento de expansão do mercado brasileiro de biometano, impulsionado pela busca por combustíveis de baixa emissão e pelas diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que criou incentivos para a produção e uso de combustíveis renováveis no país






