Grandes companhias do setor de embalagens estão transformando a reciclagem em uma frente estratégica de negócios, impulsionadas por novas metas ambientais, pressão regulatória e demanda crescente por soluções sustentáveis. Reportagem da Exame mostra que empresas como Coca-Cola, Unilever e Grupo Boticário estão ampliando investimentos em logística reversa, coleta seletiva e reutilização de resíduos para transformar lixo em matéria-prima e reduzir custos operacionais.
O movimento ocorre em um cenário ainda desafiador no Brasil. Embora o país lidere a reciclagem de latas de alumínio, com índice de reaproveitamento de 97%, apenas 4% do lixo total produzido é reciclado, abaixo da média global de 16%. O governo federal tenta acelerar a economia circular com metas nacionais que preveem reciclagem de 50% dos resíduos até 2040.
A Coca-Cola FEMSA, por exemplo, opera desde 2019 a SustentaPET, iniciativa voltada à coleta de embalagens PET pós-consumo. Segundo a Exame, o programa já reciclou mais de 6 bilhões de garrafas e coletou mais de 180 mil toneladas de plástico, conectando cooperativas e recicladores à cadeia produtiva.
Já a Unilever afirma ter ultrapassado sua meta de logística reversa no Brasil. A companhia coleta e processa o equivalente a 115% do plástico que coloca no mercado nacional. Além disso, parte das embalagens de marcas como OMO, Comfort e Hellmann’s já utiliza plástico totalmente reciclado.
No setor de cosméticos, o Grupo Boticário transformou resíduos plásticos em mobiliário para lojas por meio do programa Boti Recicla. A empresa também ampliou ações de coleta em pontos físicos e projetos de incentivo aos catadores.
Além das gigantes de consumo, empresas da cadeia de embalagens também buscam monetizar a reciclagem. A Smurfit Westrock vem expandindo operações de logística reversa no Brasil, utilizando redes de parceiros para coleta e compactação de papelão reciclável.
Outro mercado em expansão é o de créditos de reciclagem. A Papirus anunciou recentemente operações de venda desses créditos para empresas que precisam cumprir metas ambientais previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Apesar do avanço, especialistas alertam que a reciclagem ainda enfrenta gargalos estruturais, como baixa coleta seletiva, informalidade e custos elevados de processamento. Estudos apontam que parte significativa das embalagens plásticas ainda acaba em aterros sanitários devido à dificuldade técnica de reaproveitamento.






