As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) em maio e junho, os dois primeiros meses de vigência provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu, segundo levantamento da ApexBrasil antecipado pela Folhapress.
O avanço representa alta de 26% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro semestre, as vendas do Brasil para a União Europeia alcançaram US$ 26,9 bilhões (R$ 137 bilhões), crescimento de US$ 3 bilhões, ou 12,8%, em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Apesar de evitar atribuir todo o resultado ao acordo comercial, o presidente da ApexBrasil, Laudemir André Müller, afirmou que existem sinais de que a redução de tarifas já começou a influenciar o comércio entre Brasil e Europa.
Segundo ele, seria uma “muita coincidência” que US$ 2 bilhões dos US$ 3 bilhões de crescimento no semestre tenham ocorrido justamente nos meses de maio e junho, período em que a aplicação provisória do acordo começou.
Acordo reduz tarifas e amplia acesso ao mercado europeu
O acordo entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio, com a eliminação ou redução imediata de tarifas para milhares de produtos.
No entanto, a validação definitiva ainda depende da aprovação do Tribunal de Justiça da Europa e do Parlamento Europeu.
A expectativa do governo brasileiro e do setor privado é que a abertura comercial aumente a competitividade das empresas nacionais e ajude a diversificar os destinos das exportações em meio ao cenário de maior instabilidade no comércio global.
Tarifaço dos EUA aumenta busca por novos mercados
A estratégia ganhou força após o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
No primeiro semestre, as exportações do Brasil para o mercado americano somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025.
Em contrapartida, outros parceiros comerciais apresentaram crescimento, reforçando a busca por novos mercados.
Segundo Müller, a ApexBrasil passou a incentivar empresas a ampliar destinos de exportação, com foco na Europa, Ásia e Índia.
“Os Estados Unidos continuam sendo importantes, mas o cenário geopolítico exige reduzir a dependência de um único mercado”, afirmou.
De acordo com a agência, 72% das 2.400 empresas acompanhadas pela ApexBrasil passaram a exportar para pelo menos um novo mercado desde o início das turbulências comerciais.
Produtos industriais ganham espaço nas exportações
Além do aumento no valor exportado, a pauta brasileira para a União Europeia também ficou mais diversificada no fim do primeiro semestre.
Entre os produtos que mais cresceram nas vendas para o bloco europeu estão:
- Mel: alta de 246,7%;
- Partes de turborreatores: +141,9%;
- Óleo essencial de laranja: +110,1%;
- Manga: +36,5%;
- Extrato de café: +36%;
- Partes para motores a diesel: +19,1%.
O avanço inclui produtos industriais, químicos, siderúrgicos e máquinas, indicando que a redução tarifária pode beneficiar setores de maior valor agregado.
Para Müller, o acordo reduz uma desvantagem histórica do Brasil diante de concorrentes que já possuíam preferências tarifárias no mercado europeu.
São Paulo concentra oportunidades no mercado europeu
Um estudo da ApexBrasil identificou oportunidades comerciais abertas pelo acordo em diferentes estados brasileiros.
São Paulo reúne 127 oportunidades para ampliar exportações ao mercado europeu, segundo maior número do país, atrás apenas de Santa Catarina, com 167.
A agência considera como oportunidade produtos que já possuem produção e exportação consolidadas no estado e que podem ganhar competitividade com a redução de tarifas.
Além disso, São Paulo possui a maior base de empresas já inseridas no mercado europeu, com cerca de 4 mil exportadoras.
Do total de oportunidades identificadas no estado, 96 estão relacionadas a produtos industriais e 31 ao agronegócio.
Sul concentra maior potencial de expansão
O levantamento aponta que os maiores potenciais de expansão das vendas para a União Europeia estão concentrados na região Sul.
Depois de Santa Catarina, aparecem:
- Paraná: 76 oportunidades;
- Rio Grande do Sul: 74 oportunidades.
Os três estados também possuem uma base relevante de empresas que já exportam para o bloco europeu, o que facilita o aproveitamento da redução tarifária.
No Nordeste, os estados com maior potencial são:
- Ceará: 69 oportunidades;
- Bahia: 67 oportunidades;
- Pernambuco: 53 oportunidades.
Já Maranhão, Piauí e Alagoas apresentam menor número de oportunidades, devido a uma pauta exportadora menos diversificada.






