A Nvidia está montando uma nova leva de acordos de infraestrutura para inteligência artificial cujo valor pode ultrapassar US$ 750 bilhões.
O movimento reacende o debate entre investidores sobre o financiamento circular que sustenta boa parte do setor. Sem contar um possível novo acordo com a OpenAI, os negócios anunciados pela companhia neste ano já passam de US$ 540 bilhões.
A sequência recente começou na última sexta-feira, com a parceria firmada junto à controladora da SK Hynix, que envolve mais de US$ 500 bilhões em negócios.
Ainda em discussão, a fabricante de chips negocia oferecer uma garantia de até US$ 250 bilhões para que a OpenAI contrate capacidade computacional, além de conversar sobre financiar até US$ 350 bilhões em compras de chips pela mesma OpenAI.
Nesta segunda-feira, a Nvidia realizou ainda um investimento substancial na Safe Superintelligence, empresa de Ilya Sutskever.
Ações caem e custo da dívida sobe
O apetite por novos negócios veio acompanhado de reação no mercado. Nesta segunda-feira, em Nova York, as ações da Nvidia caíram até 4,1%, cotadas a US$ 198,45.
No mesmo dia, o custo para proteger a dívida da empresa contra calote disparou: avançou até cerca de 0,14 ponto percentual, chegando a aproximadamente 0,82 ponto percentual ao ano.
A lógica que preocupa o mercado não é nova. Há meses, Goldman Sachs e Michael Burry, o investidor por trás de ‘A Grande Aposta’ (‘The Big Short’), vêm alertando para a natureza circular desses acordos, em que o mesmo capital acaba financiando os futuros clientes da tecnologia.
Nos últimos anos, a Nvidia adquiriu participações em desenvolvedoras e fabricantes de chips, além de investir em empresas de data centers.
‘Embora os investimentos e parcerias da Nvidia reforcem a confiança na expansão de longo prazo da infraestrutura de IA, os investidores continuam preocupados com o financiamento circular’, afirmou Gary Tan, da Allspring Global Investments.
Para Tan, o ponto central está em como esse dinheiro circula. ‘O capital está sendo usado cada vez mais para financiar futuros clientes de IA e a implantação de infraestrutura para essa tecnologia’, disse.
Estratégia e risco para a Nvidia
Mandeep Singh, da Bloomberg Intelligence, avaliou a lógica por trás da ofensiva. ‘A Nvidia quer garantir que a expansão da infraestrutura continue nesse ritmo’, afirmou em entrevista à Bloomberg Television.
Ele, porém, apontou a fragilidade do modelo: ‘Esse é um grande risco para a Nvidia. Se houver uma pausa, mesmo que seja de seis meses, isso não será nada bom para a empresa.’






