As bolsas de valores dos Estados Unidos, que encerraram a última semana próximas de máximas históricas, terão um novo teste com a divulgação dos dados de inflação de julho. O mercado busca sinais que possam confirmar ou alterar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed) em relação às taxas de juros.
O S&P 500 avançou 5,75% em apenas quatro sessões, impulsionado principalmente por ações de tecnologia e semicondutores. A melhora do sentimento também foi favorecida pela redução das tensões entre Estados Unidos e Irã e pela queda dos preços do petróleo, que diminuiu parte das preocupações com a inflação.
Agora, a atenção se volta para o índice de preços ao consumidor (CPI) de julho. Economistas consultados para a reportagem da Reuters projetam alta de 3,4% na inflação anual e de 2,5% no núcleo, que exclui alimentos e energia. Um resultado acima das expectativas poderia provocar uma reavaliação das apostas sobre a política monetária e aumentar a pressão sobre as ações.
O cenário é especialmente importante porque a inflação norte-americana continua acima da meta de 2% do Federal Reserve. Em seu relatório de política monetária de julho, o banco central afirmou que as pressões inflacionárias permaneceram elevadas, em parte devido a choques de oferta relacionados à energia.
Caso os preços mostrem uma desaceleração maior do que a esperada, investidores poderão aumentar as apostas em uma política monetária menos restritiva, favorecendo ações e outros ativos de risco. Por outro lado, uma inflação persistente poderá fortalecer a perspectiva de juros elevados por mais tempo, pressionando principalmente empresas de tecnologia, cujas avaliações são mais sensíveis às taxas de juros.
Além do CPI, os investidores deverão acompanhar durante a semana dados de preços ao produtor, vendas no varejo e resultados de grandes empresas de tecnologia. Para analistas, a combinação desses indicadores será fundamental para determinar se a forte recuperação das bolsas norte-americanas tem espaço para continuar ou se os mercados precisarão passar por uma correção após os recentes recordes.






