As bolsas norte-americanas encerraram o pregão desta última quinta-feira (17) em alta, apoiadas pelo recuo dos preços do petróleo e pela queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O movimento ajudou a aliviar parte das preocupações com a inflação e com o impacto do aperto monetário promovido pelo Federal Reserve, que elevou os juros na véspera pela primeira vez desde julho de 2023.
O índice S&P 500 avançou 1,14%, aos 7.637,74 pontos, enquanto o Dow Jones subiu 0,62%, para 51.779,85 pontos. O Nasdaq, mais concentrado em empresas de tecnologia, teve alta de 1,69%, aos 26.418,30 pontos, liderando a recuperação de Wall Street após as perdas registradas no pregão anterior.
A melhora no sentimento dos investidores ocorreu depois que o petróleo Brent recuou cerca de 1%, negociado próximo de US$ 104,82 por barril. A queda foi associada à redução dos temores sobre interrupções no fornecimento, após informações de que a Arábia Saudita conseguiu direcionar parte de sua produção por meio de Omã.
O recuo da commodity trouxe alívio às expectativas de inflação, já que o petróleo mais caro vinha pressionando custos de transporte, energia e produção em diversas economias. As tensões no Oriente Médio continuam, mas a percepção de que os riscos imediatos de oferta podem ser administrados ajudou a reduzir a pressão sobre os mercados.
No mercado de renda fixa, o rendimento da Treasury de dez anos caiu de 5,01% para aproximadamente 4,93%. A redução dos juros dos títulos públicos diminui o custo de financiamento e melhora a atratividade relativa das ações, principalmente de empresas de tecnologia e crescimento, cujos resultados futuros são mais sensíveis às taxas utilizadas nos modelos de avaliação.
As ações de fabricantes de chips e outras companhias ligadas à inteligência artificial estiveram entre os destaques positivos. O setor recuperou parte das perdas recentes provocadas pela preocupação de que juros elevados por mais tempo poderiam reduzir o apetite por empresas com avaliações consideradas mais esticadas.
A recuperação também foi apoiada por dados econômicos favoráveis. Os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caíram para 196 mil, abaixo dos 206 mil registrados anteriormente, sinalizando que o mercado de trabalho permanece relativamente resistente. Indicadores de atividade industrial também vieram melhores do que o esperado em algumas regiões do país.
Apesar da alta, investidores continuam atentos à trajetória da política monetária. O Fed elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano, e manteve um discurso firme no combate à inflação. A possibilidade de novos aumentos ainda representa um risco para ações, títulos e moedas nos próximos meses.
O pregão mostrou que a direção dos mercados segue bastante dependente da combinação entre petróleo, rendimentos dos Treasuries e expectativas para os juros. A queda simultânea desses dois indicadores permitiu uma recuperação das bolsas, mas a continuidade do movimento dependerá da evolução das tensões geopolíticas, dos dados de inflação e das próximas sinalizações do Federal Reserve.






