Os ETFs de Bitcoin podem, no longo prazo, alcançar um volume de recursos três vezes superior ao dos fundos negociados em bolsa ligados ao ouro, segundo uma projeção de Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg. A estimativa reforça a disputa por espaço entre os dois ativos como alternativas de exposição a investimentos considerados de proteção e diversificação.
Segundo dados citados na análise, os ETFs globais de ouro acumulavam cerca de US$ 615 bilhões em ativos no fim de agosto. Caso os fundos de Bitcoin chegassem a três vezes esse montante, o patrimônio administrado poderia alcançar aproximadamente US$ 1,85 trilhão, um nível muito superior ao atual.
A tese de Balchunas está relacionada principalmente à mudança geracional entre os investidores. O analista avalia que as gerações mais jovens possuem maior familiaridade com criptomoedas e podem direcionar uma parcela crescente de seu patrimônio para ativos digitais à medida que acumulam e recebem recursos ao longo dos próximos anos.
Outro fator apontado é a participação de investidores institucionais. Apesar do avanço dos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos, investidores profissionais ainda representavam cerca de 21% dos ativos desses produtos no primeiro trimestre de 2026, segundo os dados citados na análise. O aumento dessa participação poderia ampliar a demanda por Bitcoin por meio de veículos regulados e negociados em bolsa.
A comparação com o ouro também ganhou força após a entrada de grandes gestores no mercado de criptomoedas. Os ETFs de Bitcoin facilitaram o acesso de investidores tradicionais ao ativo sem a necessidade de manter diretamente as criptomoedas, utilizando uma estrutura semelhante à de outros fundos negociados em bolsa.
No entanto, os fluxos recentes mostram que a migração para o Bitcoin não ocorre de forma linear. Segundo analistas do JPMorgan, ETFs de ouro recuperaram todas as saídas registradas no início de 2026, enquanto os ETFs de Bitcoin haviam recuperado aproximadamente metade das perdas no período analisado. A instituição também apontou que posições vendidas e estratégias de proteção envolvendo o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, mostram que parte dos investidores ainda mantém uma postura mais cautelosa em relação ao Bitcoin.
Para o JPMorgan, uma redução dessas posições de proteção poderia oferecer suporte adicional ao Bitcoin em relação ao ouro. A avaliação ocorre em um cenário no qual investidores voltaram a buscar ativos associados à chamada “debasing trade”, estratégia relacionada à preocupação com perda do poder de compra das moedas e aumento dos gastos públicos.
A diferença de comportamento entre os dois mercados também evidencia os riscos da projeção. Enquanto o ouro possui décadas de utilização como reserva de valor e é amplamente adotado por bancos centrais e investidores institucionais, o Bitcoin continua apresentando volatilidade significativamente maior e depende de fatores como fluxo para ETFs, regulamentação, liquidez e percepção de risco.
A própria comparação entre os fundos não representa necessariamente uma previsão de que o Bitcoin terá retorno três vezes maior que o ouro. A estimativa de Balchunas diz respeito ao volume de recursos administrados pelos ETFs, e não diretamente à valorização do preço do Bitcoin em relação ao metal.
Se a projeção se concretizar, entretanto, o avanço dos ETFs de Bitcoin representaria uma mudança importante na indústria de gestão de ativos. O crescimento dos fundos poderia ampliar a participação das criptomoedas nas carteiras tradicionais e aproximar ainda mais o mercado de ativos digitais do sistema financeiro convencional.






