A Bitwise Asset Management divulgou nesta última quarta-feira (23) um levantamento sobre a adoção de criptomoedas por grandes investidores institucionais e identificou o Bitcoin como o principal ativo digital mantido por esse grupo. O estudo foi elaborado a partir de entrevistas com profissionais responsáveis pelas decisões de investimentos de 15 instituições, incluindo fundos de pensão públicos, fundos soberanos, fundações, endowments, family offices e empresas de capital aberto.
Segundo a gestora, todas as instituições entrevistadas que possuem exposição a criptomoedas também mantêm Bitcoin. Para a maioria, o ativo foi a primeira posição em cripto, além de ser a maior e a mantida há mais tempo. O levantamento mostra que os investidores institucionais consultados vêm tratando o Bitcoin principalmente como uma reserva de valor e, em alguns casos, como uma posição complementar ao ouro.
Um dos pontos destacados pela Bitwise é o comportamento das instituições durante a forte correção observada no mercado de criptomoedas entre o quarto trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026. A empresa estima que o mercado tenha recuado cerca de 50% no período, mas nenhuma das 15 instituições ouvidas reduziu sua alocação em cripto. Algumas, segundo o levantamento, aproveitaram a queda para aumentar suas posições.
A pesquisa também indica que a queda dos preços não foi apontada pelos investidores entrevistados como um motivo para vender. Entre os fatores que poderiam levar a uma redução de exposição aparecem mudanças na tese de investimento, reversões regulatórias ou uma perda de credibilidade do setor de criptomoedas.
Apesar da visão de longo prazo, a participação dos ativos digitais ainda representa uma parcela relativamente pequena dos portfólios analisados. As alocações em criptomoedas variaram de 0,5% a 13% dos ativos investíveis, com a maior parte das instituições concentrada entre 1% e 2%. Os investimentos são realizados por diferentes veículos, incluindo ETFs à vista, posse direta dos ativos, fundos de venture capital e hedge funds.
Os ETFs de Bitcoin à vista também aparecem como um dos principais instrumentos utilizados para facilitar o acesso institucional ao mercado. De acordo com a Bitwise, quase todas as instituições entrevistadas já utilizam ou planejam utilizar esses produtos, citando custos operacionais menores e uma estrutura considerada mais familiar para os departamentos responsáveis pela administração dos investimentos.
O levantamento mostra ainda uma diferença na forma como os investidores tratam outras criptomoedas. Ethereum e Solana aparecem em posições menores e associadas a teses específicas, com horizontes de investimento mais curtos e critérios de saída definidos. Em alguns casos, as instituições indicaram que poderiam vender essas posições caso a adoção ou a geração de valor esperada não se concretize nos próximos anos.
Para Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, os resultados indicam que a adoção institucional de criptomoedas vem ocorrendo de maneira mais persistente do que a percepção geral do mercado pode sugerir. A gestora afirma, com base nas entrevistas, que espera que a maioria dos investidores institucionais mantenha alguma exposição a criptomoedas nos próximos cinco anos.
Ryan Rasmussen, chefe de pesquisa da Bitwise, afirmou que o padrão observado entre instituições com diferentes perfis foi a utilização do Bitcoin como principal ativo de referência, enquanto Ethereum e Solana permanecem associados a teses de investimento mais específicas. A empresa ressalta, porém, que o levantamento representa as instituições entrevistadas e não constitui uma amostra estatística de todo o mercado institucional.
O estudo também chama atenção para uma possível limitação dos dados públicos sobre a exposição institucional. Segundo a Bitwise, algumas instituições utilizam veículos de investimento que não aparecem diretamente nos registros regulatórios de posições, como os formulários 13F nos Estados Unidos. Por isso, estimativas baseadas exclusivamente nesses documentos podem não capturar toda a participação institucional em criptomoedas.
Com o avanço dos ETFs à vista e a entrada gradual de gestores tradicionais, o Bitcoin passa a ocupar espaço em diferentes estruturas de portfólio, embora ainda represente uma parcela limitada dos ativos investíveis das instituições analisadas. O levantamento da Bitwise sugere que, entre os participantes consultados, a estratégia tem sido manter a exposição mesmo durante períodos de elevada volatilidade, reforçando uma abordagem de horizonte mais longo para o principal ativo do mercado cripto.






