O dólar encerrou a sexta-feira (23) abaixo de R$ 5, pela primeira vez desde 9 de outubro, em meio aos ajustes dos investidores às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. A moeda americana fechou cotada a R$ 4,9931, com queda de 0,92% no dia e desvalorização acumulada de 1,58% na semana.
Durante a sessão, a cotação chegou à mínima de R$ 4,9891. O movimento ocorreu apesar da valorização do dólar no mercado internacional e refletiu o aumento do apetite por ativos brasileiros, associado às expectativas de parte dos investidores sobre uma possível vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno marcado para domingo (25).
Segundo operadores do mercado, a queda da moeda foi impulsionada pela entrada de recursos estrangeiros e pela redução de posições de proteção cambial. A expectativa de uma mudança no comando do governo federal também influenciou as negociações, diante da avaliação de que uma eventual vitória de Flávio poderia resultar em uma política fiscal mais rigorosa a partir de 2027.
Pesquisas eleitorais influenciam o câmbio
As pesquisas divulgadas na reta final da campanha mostraram uma disputa acirrada entre os candidatos. Levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira (22) apontou empate entre Flávio Bolsonaro e Lula, ambos com 50% dos votos válidos. Já a pesquisa Ipespe/Abrapel divulgada na sexta-feira indicou vantagem numérica do senador, com 50,5% contra 49,5% do presidente.
Mesmo diante do equilíbrio nas sondagens, parte dos agentes financeiros manteve posições favoráveis à valorização do real, apostando em uma vitória da oposição. A perspectiva de mudanças na condução das contas públicas tem sido um dos principais fatores considerados pelos investidores na formação dos preços dos ativos brasileiros.
No entanto, analistas ressaltam que o resultado eleitoral pode provocar oscilações relevantes no câmbio. Uma vitória de Flávio poderia ampliar a valorização do real no curto prazo, enquanto uma reeleição de Lula poderia levar a uma reação contrária, dependendo da interpretação dos investidores sobre os rumos da política econômica e fiscal.
Dólar sobe no exterior, mas real tem desempenho positivo
O desempenho do câmbio brasileiro destoou do movimento internacional. Na tarde de sexta-feira, o índice DXY, que mede a força do dólar diante de uma cesta de moedas fortes, avançava cerca de 0,19%, aos 101,799 pontos. Dados econômicos americanos acima das expectativas reforçaram a percepção de que a atividade nos Estados Unidos continua resiliente.
Além disso, a alta das tensões no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo. O contrato futuro do Brent para dezembro subiu 3,13%, a US$ 116,72 por barril, alcançando o maior patamar desde abril. Apesar desse cenário externo, o real apresentou um dos melhores desempenhos entre as principais moedas globais no pregão.
Na semana anterior, o dólar havia avançado 1,77% frente à moeda brasileira. A queda registrada nos últimos cinco dias úteis reverteu parte desse movimento e levou a cotação novamente para abaixo do patamar de R$ 5.
Mercado aguarda resultado das urnas
A proximidade do segundo turno levou investidores a ajustar suas posições antes da divulgação do resultado eleitoral. A expectativa é de que o câmbio continue sensível às pesquisas, às declarações dos candidatos e às primeiras sinalizações econômicas após a votação.
Além do cenário político, a trajetória da moeda dependerá de fatores externos, como o comportamento dos juros nos Estados Unidos, a força do dólar no mercado internacional e as tensões geopolíticas. No Brasil, a percepção sobre a sustentabilidade das contas públicas e as perspectivas para a política econômica devem seguir entre os principais elementos que influenciam as decisões dos investidores.
Com o fechamento de sexta-feira, o dólar terminou a semana em R$ 4,9931, acumulando queda de 1,58% e atingindo o menor nível de encerramento desde 9 de outubro, em uma sessão marcada pela expectativa em torno do resultado das eleições presidenciais.






