A Blue3 Investimentos anunciou a aquisição da All Investimentos, escritório ligado à XP Investimentos e com presença em três praças estratégicas: Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São José do Rio Preto. O movimento eleva a Blue3 à marca de R$ 50 bilhões sob assessoria e mantém o ritmo de expansão por aquisições em 2026.
Na prática, a operação incorpora cerca de R$ 3,5 bilhões em ativos e uma base de 4.300 clientes ao ecossistema do grupo. Além disso, a All chega com um time sênior, formado por 69 assessores e aproximadamente 30 especialistas em áreas como mesa de operações, controladoria e renda variável.
Como a compra muda o tamanho do grupo
O anúncio ocorre poucos dias depois de outra transação: a aquisição da Squad Capital. Com isso, a Blue3 sinaliza que 2026 começou com apetite por consolidação, em um mercado cada vez mais competitivo entre escritórios de investimento.
Para 2026, a empresa projeta crescer 33% e terminar o ano com R$ 60 bilhões. Já a ambição mais ampla permanece no radar: R$ 100 bilhões nos próximos três anos, embora a liderança admita que o ritmo recente pode exigir revisão do cronograma.
O que a All adiciona ao “mapa” da Blue3
Além do volume, a aquisição tem um componente geográfico. Ao incorporar um escritório com operação em capitais e interior, a Blue3 ganha mais capilaridade. Isso importa porque a disputa, agora, não é só por captação. Ela é por recorrência, experiência e serviço ao cliente.
A All Investimentos é liderada por Luzimar Abreu, que passa a integrar o grupo após o negócio. A executiva comanda a equipe que entra no novo arranjo, reforçando a tese de “junção de times” e não apenas de carteiras.
Por que o mercado de assessorias está consolidando mais rápido
O pano de fundo é conhecido por quem acompanha o setor: depois do ciclo de alta de juros e da maior exigência por eficiência, muitos escritórios passaram a buscar escala. Assim, o grupo maior dilui custo, melhora estrutura e amplia o cardápio de atendimento. Ao mesmo tempo, ganha fôlego para investir em tecnologia e especialistas.
Nesse cenário, movimentos como o da Blue3 tendem a acelerar. Afinal, o cliente ficou mais sensível a performance, serviço e governança — e isso pesa na escolha do assessor.
O que acompanhar a partir de agora
Com duas aquisições em sequência, o desafio passa a ser execução. Em geral, o mercado olha três pontos:
- Integração de times e retenção de assessores seniores;
- Padronização de processos e qualidade do atendimento;
- Sinergias comerciais, sem perder a identidade local dos escritórios.
Se essa engrenagem rodar bem, a corrida pelos R$ 100 bilhões pode ficar mais curta do que o plano original.






