O governo federal lançou uma estratégia inédita para impulsionar a bioeconomia brasileira, conectando atividades que vão do manejo sustentável do pirarucu ao desenvolvimento de medicamentos e produtos de saúde. A iniciativa faz parte do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) e foi detalhada pelo veículo Capital Reset.
A proposta busca integrar conservação ambiental, produção econômica e financiamento sustentável, com o objetivo de transformar a biodiversidade — especialmente a amazônica — em um ativo econômico estratégico para o país.
Um dos exemplos mais concretos da estratégia é o manejo sustentável do pirarucu. Comunidades ribeirinhas já conseguem vender o peixe por até 40% acima do preço médio, com ganhos adicionais de cerca de 30% quando há certificação orgânica.
Agora, essas populações também passarão a receber por serviços ambientais — ou seja, serão remuneradas não apenas pela produção, mas também pela conservação dos ecossistemas em que atuam.
Esse modelo combina geração de renda com preservação ambiental e é visto como um dos pilares da chamada “economia da floresta em pé”.
Plano nacional quer integrar economia, ciência e floresta
O PNDBio tem horizonte de 10 anos e é o primeiro plano federal a tratar a biodiversidade como um ativo econômico estruturante, e não apenas como objeto de conservação.
A estratégia é ampla e envolve diferentes frentes:
- fortalecimento da sociobioeconomia (comunidades tradicionais e agricultura familiar);
- expansão da bioindústria, incluindo setores farmacêutico e cosmético;
- uso sustentável de biomassa para descarbonização.
Além disso, o plano prevê:
- pagamento por serviços ambientais para centenas de milhares de pessoas;
- incentivo a empreendimentos da sociobiodiversidade;
- recuperação de áreas degradadas integradas à economia sustentável.
Da floresta ao SUS
Outro eixo estratégico é a conexão entre biodiversidade e saúde. O governo pretende ampliar o uso de fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS) e aumentar a participação desses produtos na indústria farmacêutica nacional.
A ideia é transformar recursos naturais — plantas, microrganismos e conhecimentos tradicionais — em inovação científica e produtos de alto valor agregado, criando novas cadeias produtivas.
Um novo ciclo econômico
Segundo o governo, a bioeconomia pode inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento baseado em sustentabilidade, inclusão social e inovação. A proposta busca integrar comunidades locais, empresas e centros de pesquisa em torno de um modelo que gere renda ao mesmo tempo em que preserva os biomas brasileiros.
Ao colocar lado a lado o pirarucu, a floresta e a indústria da saúde, o Brasil tenta posicionar sua biodiversidade como vantagem competitiva global — e não apenas como patrimônio a ser protegido.






