Em sintonia com o exterior, o dólar fechou nesta última terça-feira, 14, em queda no Brasil, novamente abaixo dos 6,05 reais, após os Estados Unidos divulgarem números moderados de inflação ao produtor, numa sessão de liquidez ainda contida neste início de 2025.
O dólar à vista fechou em queda de 0,84%, aos 6,0466 reais. Em janeiro a moeda acumula baixa de 2,14%. Às 17h03 na B3 o dólar para fevereiro — atualmente o mais líquido — cedia 0,88%, aos 6,0655 reais.
O Ibovespa contou com o apoio das ações da mineradora Vale e do banco Bradesco para fechar com uma alta modesta nesta terça-feira, após trocar de sinal algumas vezes durante o pregão, registrando uma mínima intradia desde novembro de 2023 no pior momento.
Investidores continuam tendo dificuldades para enxergar catalisadores benignos para as ações brasileiras e seguem preocupados com os efeitos de condições financeiras mais apertadas em 2025 nos resultados das companhias, com alguns estrategistas posicionando-se para um mercado mais desafiador no horizonte.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa mostrou um acréscimo de 0,25%, a 119.298,67 pontos, após os ajustes finais, tendo marcado 118.222,64 na mínima e 119.451,01 pontos na máxima da sessão. O volume financeiro somava 19,2 bilhões de reais.
Pela manhã o Departamento do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) para a demanda final aumentou 0,2% em dezembro, após avanço não revisado de 0,4% em novembro. Economistas consultados pela Reuters haviam previsto alta de 0,3%. No período de 12 meses até dezembro, o índice acelerou para 3,3%, após aumento de 3,0% em novembro.
O avanço moderado do PPI no mês passado fez os yields dos Treasuries despencarem, em meio a uma avaliação mais positiva sobre a inflação norte-americana.
Neste cenário, a moeda norte-americana passou a ceder ante quase todas as divisas de países emergentes, incluindo o real.
Após registrar a máxima de 6,0985 reais (+0,01%) às 9h00, na abertura do mercado no Brasil, o dólar à vista atingiu 6,0425 reais (-0,91%) às 10h50 — naquele momento, a mínima do dia, já após os dados do PPI. Às 16h39, já na reta final, a moeda norte-americana à vista atingiu o piso do dia, de 6,0415 reais (-0,93%).
O recuo do dólar também esteve em sintonia com a queda das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) no Brasil, com investidores aproveitando o noticiário interno ameno para eliminar prêmios em excesso.
Operador ouvido pela Reuters destacou ainda o volume limitado de negócios — algo comum nas primeiras sessões de janeiro, após a forte movimentação de dezembro.
No exterior, às 17h04, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,13%, a 109,280.
Pela manhã, o Banco Central vendeu 15.000 contratos de swap cambial tradicional para fins de rolagem do vencimento de 3 de fevereiro de 2025.
O Ibovespa no dia
“O momento segue de cautela e esperar sinais mais claros de uma melhora”, afirmaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista, citando que o Ibovespa continua pressionado na região de suporte em 118.600 pontos, correndo risco de mais uma rodada de baixa.
O cenário norte-americano também ocupa as atenções de agentes no Brasil, particularmente o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Ele toma posse no próximo dia 20.
De acordo com o trader Diogo da Silva, da Daycoval Corretora, repercutiu bem uma notícia sugerindo que a equipe de Trump estaria considerando movimentos graduais na implementação de tarifas de importação, mas persistem as incertezas sobre as retóricas das propostas do novo governo.
Dados de dezembro sobre os preços ao consumidor nos Estados Unidos previstos para a quarta-feira também são aguardados, uma vez que podem influenciar apostas sobre os próximos movimentos do Federal Reserve, particularmente após números fortes do mercado de trabalho norte-americano na última sexta-feira.
“O mercado está estacionado, aguardando a inflação”, afirmou William Queiroz, sócio e advisor da Blue3, explicando que, dependendo do número, o Fed pode entender ser necessário interromper o ciclo de cortes e optar por um período de manutenção dos juros na maior economia do mundo.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA será divulgado nesta quarta-feira, às 10h30 (horário de Brasília). As estimativas no mercado apontam alta de 0,3% em relação ao mês anterior.






