O Itaú BBA revisou as projeções para a Yduqs (YDUQ3) após um 4T25 abaixo do esperado, que derrubou as ações na última quinta-feira (12). Mesmo com o ajuste, o banco manteve a recomendação outperform (equivalente a compra) e reiterou que a companhia segue com atrativos importantes, como rendimento elevado de fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) e múltiplos considerados descontados.
A mudança veio no preço-alvo: o BBA reduziu a estimativa de R$ 19 para R$ 17. No pregão desta segunda, por volta de 11h15, YDUQ3 subia 5,60%, a R$ 10,74.
Por que o banco reduziu o preço-alvo
O principal ponto de atenção, segundo o Itaú BBA, é a captação de alunos em 2026, especialmente no ensino digital. A discussão ganhou peso na teleconferência porque o setor enfrenta um ambiente mais apertado, com novas regras regulatórias que atingem parte dos cursos e podem reduzir o ritmo de crescimento do EAD.
Além disso, a companhia espera migração de estudantes para programas híbridos, o que tende a mudar o perfil de receita. Para o banco, a captação no digital no 1º trimestre de 2026 deve recuar. Somado a um mercado mais competitivo e à dificuldade de seguir aumentando penetração depois de vários anos de expansão, o cenário pode limitar o crescimento de volume no ano.
Híbrido ganha espaço e pode mexer nas margens
A transição para o híbrido também aparece como peça central na tese. O BBA vê 2026 com maior participação de programas híbridos e menor peso do ensino a distância tradicional, que costuma entregar margens maiores.
Então, o banco ressalta que o impacto pode variar entre as companhias listadas. A demanda depende de marca e ticket médio. Mesmo assim, a instituição acredita que o híbrido deve continuar ganhando espaço, com efeitos diretos sobre a composição de receitas do setor.
Corte de custos entra na conta
A Yduqs iniciou um ajuste antes das novas regras. No 4T25, anunciou uma reestruturação do corpo docente para melhorar eficiência. O Itaú BBA incorporou esse movimento no modelo e projeta redução anual de 0,5 ponto percentual em gastos com pessoal em 2026, como forma de otimizar custos.
Caixa segue como pilar da tese
Apesar da leitura mais fraca para captação, a geração de caixa ficou alinhada ao esperado em 2025 e no 4T25. Para 2026, a empresa indicou que o FCFE deve ser pelo menos similar ao de 2025, quando somou R$ 500 milhões.
Então, na avaliação do BBA, a combinação de menor peso de itens não recorrentes, crescimento de EBITDA e possível queda da Selic pode sustentar o caixa no próximo ano. O banco mantém projeção de FCFE de R$ 486 milhões em 2026, praticamente estável.
Margens e lucro: o que muda no modelo do banco
Na rentabilidade, o Itaú BBA projeta margem EBITDA ajustada de 33,7% em 2026. O banco atribui parte desse desempenho a uma redução de 1 ponto percentual nas despesas com inadimplência, em linha com menor participação do programa DIS e melhores taxas de renovação.
Além disso, o BBA vê espaço para crescimento do lucro em 2026, com impulso de menores despesas financeiras.






