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Início Investimentos

Morgan Stanley afirma que a Selic pode variar de 9,75% a 15,5% após as eleições

Carla Santiago por Carla Santiago
31 de agosto de 2026
em Investimentos
Morgan Stanley afirma que a Selic pode variar de 9,75% a 15,5% após as eleições

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A trajetória da taxa Selic após as eleições de 2026 dependerá menos da desaceleração da economia e mais da confiança do mercado na política fiscal do próximo governo, avalia o Morgan Stanley.

Em relatório, o banco traça três cenários para a política monetária em 2027. No mais positivo, a Selic poderia cair dos 14% projetados para o fim de 2026 para 9,75%. No cenário-base, terminaria o próximo ano em 11%. Já em um ambiente de perda de confiança, o Banco Central poderia ser obrigado a voltar a elevar os juros, levando a taxa a 15,5%.

A diferença entre os cenários está na capacidade do próximo governo de apresentar um plano crível para estabilizar a dívida pública no médio prazo.

“O fiscal passou a fazer parte, de maneira crescente, da função de reação da política monetária”, afirma o Morgan Stanley.

Segundo o banco, uma percepção de menor compromisso com o ajuste das contas públicas pode elevar os prêmios de risco, pressionar o câmbio e desancorar as expectativas de inflação. Isso reduziria o espaço para cortes da Selic mesmo diante de uma atividade econômica mais fraca.

Cenário-base prevê Selic em 11%

No cenário considerado mais provável, o próximo governo apresentaria um ajuste fiscal limitado, mas suficiente para evitar uma crise de confiança.

Nesse ambiente, o Morgan Stanley espera que a inflação recue de 5% ao final de 2026 para 4% em 2027. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), por sua vez, desaceleraria de 2% para 1,2%.

A perda de força da atividade e a manutenção de uma política monetária restritiva permitiriam que o Banco Central continuasse reduzindo os juros. O processo, contudo, seria lento por causa das expectativas de inflação ainda desancoradas e dos prêmios fiscais elevados.

Com isso, a Selic encerraria 2027 em 11%, patamar que o Morgan Stanley ainda considera contracionista. A taxa real, descontada a inflação, ficaria próxima de 7%.

“O Banco Central terá espaço limitado para reduzir os juros, apesar do crescimento mais fraco, diante das expectativas fiscais e inflacionárias desancoradas”, diz o relatório.

O banco também projeta alta da taxa média de desemprego, de 5,6% em 2026 para 6,7% no ano seguinte.

Risco fiscal pode obrigar BC a elevar juros

O cenário negativo não pressupõe necessariamente uma nova expansão dos gastos em 2027. O problema seria a percepção de que o próximo governo não pretende fazer o suficiente para estabilizar a dívida ao longo dos anos seguintes.

A falta de um plano fiscal convincente poderia provocar um choque de confiança, com desvalorização do real, alta dos juros de longo prazo e piora das expectativas de inflação.

Nesse ambiente, o dólar poderia alcançar R$ 6 e a inflação permaneceria em 5%, mesmo com o crescimento do PIB desacelerando para apenas 0,2%.

O BC, portanto, ficaria impedido de responder à fraqueza da atividade com novos cortes. Pelo contrário: para conter a desancoragem das expectativas, teria de elevar marginalmente os juros, levando a Selic a 15,5% ao final de 2027.

A combinação de juros mais altos, crescimento próximo de zero e receitas públicas mais fracas aceleraria a deterioração da dívida, que poderia chegar a 87,9% do PIB no próximo ano.

Para o Morgan Stanley, esse é justamente o risco que o mercado estaria subestimando. A instituição avalia que a economia chegará a 2027 com menor impulso cíclico, inflação ainda resistente, mercado de trabalho em desaceleração e famílias mais sensíveis ao custo elevado do crédito.

Credibilidade fiscal abriria espaço para Selic a 9,75%

No cenário positivo, o próximo governo apresentaria um programa fiscal plurianual realista, respaldado pela coalizão política e acompanhado de medidas compatíveis com o Orçamento.

O Morgan Stanley chama essa estratégia de “choque de gradualismo”: a melhora efetiva das contas públicas ocorreria ao longo de vários anos, mas a mudança nas expectativas poderia ser imediata.

Um plano considerado crível reduziria os prêmios de risco e as expectativas de inflação, além de fortalecer o real. O banco estima que o dólar poderia recuar a R$ 4,50 nesse cenário.

Com a inflação desacelerando para 3,8% e as expectativas voltando a convergir para a meta, o Banco Central ganharia espaço para prolongar o ciclo de flexibilização e reduzir a Selic para 9,75% ao final de 2027.

O PIB cresceria 1,5%, enquanto o desemprego subiria de maneira mais moderada, para uma média de 6,5%.

Ainda assim, o Morgan Stanley ressalta que a dívida pública continuaria avançando inicialmente. A diferença estaria na perspectiva de estabilização posterior: no cenário positivo, a dívida atingiria 86,2% do PIB em 2028 e passaria a recuar nos anos seguintes.

Fiscal define o espaço do Banco Central

O Morgan Stanley argumenta que juros elevados já representam uma pressão relevante sobre as contas públicas. O déficit nominal, que inclui as despesas com juros, alcançou 7,9% do PIB em junho de 2026.

Forma-se, assim, uma relação de mão dupla: a incerteza fiscal mantém os juros elevados, enquanto os juros altos ampliam o custo da dívida e dificultam o próprio ajuste fiscal.

Por isso, mesmo que o crescimento desacelere, o BC só terá espaço para acelerar os cortes se houver uma melhora da percepção sobre a trajetória da dívida.

“A implementação fiscal pode ser gradual, mas a reprecificação dos ativos brasileiros não precisa ser”, resume o Morgan Stanley.

 

Tags: investimentosselic

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