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Na instabilidade da guerra, os títulos IPCA+ fortalecem a função de “escudo” para o investidor

Carla Santiago por Carla Santiago
11 de março de 2026
em Investimentos
Na instabilidade da guerra, os títulos IPCA+ fortalecem a função de “escudo” para o investidor

Daniela Arbex

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A sessão é de alívio para ativos locais nesta última terça-feira (10), mas a escalada da guerra do Irã nos últimos dias, com a disparada do petróleo e a reabertura da curva de juros, acabou reforçando uma tese que já vinha aparecendo nas recomendações de renda fixa: a de que os títulos atrelados à inflação seguem como uma das peças mais robustas da carteira.

Na visão dos especialistas ouvidos pelo InfoMoney, o estresse recente não enfraqueceu o caso do IPCA+. Ao contrário. Com mais incerteza sobre inflação, mais ruído sobre o início e a intensidade do ciclo de cortes da Selic e mais volatilidade nos juros, o papel protetivo desses títulos ficou ainda mais evidente.

“A abertura recente [da curva de juros] reforça a atratividade das taxas desses títulos que, embora sofram marcação a mercado, repassam a parcela de inflação ao investidor e, portanto, são menos arriscados que os prefixados”, diz Laís Costa, analista da Empiricus Research.

Analistas defendem que esse tipo de ativo continua sendo uma peça quase obrigatória na carteira do investidor por preservar o poder de compra em momentos de volatilidade. Mas isso não significa que a mesma estratégia sirva para todos os perfis.

“O investidor conservador, se está buscando preservar o poder de compra do seu capital por três, quatro, cinco anos, o ideal é que ele aloque em NTN-Bs com durations [prazos de vencimento] mais curtas”, diz Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research.

Já para o investidor moderado ou arrojado, a tese pode avançar para prazos mais longos, mirando uma eventual valorização se a curva fechar no futuro – ou seja, se o juro do mercado fica menor do que o oferecido pelo papel, que pode então ser vendido com ágio no mercado secundário.

“É uma oportunidade para o investidor que pode manter aquele dinheiro travado. O grande cenário que esse investidor precisa trabalhar é: se tudo der certo, eu consigo executar a marcação a mercado dentro de três, quatro, cinco anos; se tudo der errado, eu faço o carrego desse título até o vencimento”, explica Almeida.

A leitura do mercado é que a crise não deve, por ora, mudar a próxima reunião do Copom, que deve decidir por um corte da Selic. Mas pode haver risco mais à frente.

“Caso esse evento perdure ao longo de 2026, isso pode modificar o direcionamento que o Copom tem em mente em relação à condução desses cortes graduais ao longo do ano. Pode ser que esses cortes sejam menos intensos, sejam mais vagarosos”, avalia o especialista da Suno.

É nesse ambiente de maior ruído no curto prazo que o Tesouro Selic volta a ganhar protagonismo para o investidor conservador. Não porque tenha passado a ser a melhor solução para todo mundo, mas porque continua sendo o refúgio natural para quem quer atravessar a turbulência com liquidez e menor oscilação.

“Se a gente está falando de um investidor mais conservador, o mais adequado é que ele fique em um produto que tem uma volatilidade mais reduzida, em geral pós-fixados”, recomenda Almeida.

Já os prefixados exigem mais cuidado, principalmente na ponta curta. Antes mesmo da guerra, alguns analistas já viam pouco prêmio nesse trecho da curva. O conflito apenas aumentou a sensibilidade dessa aposta.

“Em meados de fevereiro, a gente tinha uma curva de juros que precificava uma Selic ao final de 2026, no começo de 2027, na casa dos 12%, que a gente já achava uma precificação agressiva. Era factível chegar a esse nível? Era, mas já era um cenário bastante otimista, que não aceitava muito desaforo”, afirma Tadeu Arantes, chefe de alocação da Ghia Multi Family Office.

Com a alta do petróleo e o risco inflacionário adicional, essa fragilidade ficou mais evidente. “Com a eclosão da guerra, traz um risco inflacionário adicional advindo da alta do petróleo e da desvalorização também do câmbio. Então a curva mais recente já mostra que o mercado precifica uma Selic ao final de 2026 próxima dos 13%”, diz.

Isso não quer dizer que prefixados saíram do radar para todos. Para os mais arrojados, analistas seguem indicando alguma exposição diante das altas taxas atuais para apimentar o portfólio, mas com cautela. Mas, no momento, a tese mais consensual segue concentrada nos papéis de inflação.

Para o investidor, o recado é que a turbulência pode até embaralhar o timing do Copom, mas não elimina uma das poucas certezas da renda fixa neste momento: proteção real, com juro além do IPCA, segue valendo caro.

“Com guerra, em que existe esse risco de disparada do preço do petróleo e consequentemente risco inflacionário, esse componente de proteção à inflação se torna ainda mais importante”, reforça Arantes.

 

Tags: brasilinvestimentos

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