As vendas no varejo dos Estados Unidos cresceram 1,7% em março, acima da expectativa do mercado e no ritmo mais forte em um ano. O dado foi divulgado ontem (21) pelo Census Bureau, do Departamento de Comércio, e veio depois de uma alta revisada para cima de 0,7% em fevereiro. Economistas consultados pela Reuters projetavam avanço de 1,4%.
O resultado ganhou força por causa de dois vetores. Primeiro, a disparada dos preços da gasolina elevou as receitas dos postos. Depois, as restituições de impostos ajudaram a sustentar gastos em outras categorias. Como a estatística de varejo não é ajustada pela inflação, parte do avanço reflete preços mais altos, e não apenas aumento real de volume vendido.
Gasolina puxou a alta do varejo nos EUA
O principal destaque do mês veio dos postos de combustíveis. Segundo a Reuters, as receitas de postos subiram 15,5% em março, no maior salto já registrado nessa série. Esse movimento ocorreu após a guerra envolvendo EUA, Israel e Irã pressionar o petróleo e elevar o custo da gasolina para o consumidor norte-americano.
Além disso, o relatório de inflação de março já havia mostrado esse choque nos combustíveis. O índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 0,9% no mês, com a energia avançando 10,9%. Dentro desse grupo, a gasolina aumentou 21,2% na série ajustada sazonalmente e 24,9% antes do ajuste, no maior salto mensal desde o início da série histórica, segundo o BLS.
Restituições de impostos ajudaram o consumo
Apesar do peso da gasolina, o consumo não ficou restrito ao setor de energia. A Reuters informou que restituições de imposto também sustentaram os gastos em várias frentes. Além disso, excluindo gasolina, as vendas ainda avançaram 0,6%, sinal de que o consumidor norte-americano continuou comprando em março.
As vendas cresceram em diversas categorias, como automóveis, móveis, eletrônicos e varejo online. Por outro lado, segmentos mais discricionários mostraram sinais mais fracos. Restaurantes tiveram alta de apenas 0,1%, enquanto roupas ficaram estáveis, o que sugere um consumidor mais pressionado pelo custo de energia.
Dado reforça recuperação do PIB no primeiro trimestre
O desempenho de março fortaleceu a visão de que a economia dos EUA ganhou algum fôlego no primeiro trimestre de 2026, depois de quase estagnar no fim de 2025. Segundo a Reuters, modelos de acompanhamento do PIB passaram a apontar crescimento anualizado de cerca de 1,3%, acima da estimativa próxima de 0,5% observada antes.
Além disso, o avanço anual do varejo chegou a 4,0% em março. O número reforça a leitura de uma demanda ainda resistente, embora parte dessa força esteja ligada a preços mais altos e ao impulso temporário das restituições.
Guerra com o Irã segue como risco para consumo e inflação
Embora o dado do varejo tenha vindo forte, o pano de fundo continua delicado. A guerra com o Irã empurrou o petróleo para cima e aumentou a pressão sobre combustíveis, transporte e custo de vida. A Reuters informou que o choque de energia pode pesar mais sobre os orçamentos das famílias nos próximos meses, sobretudo se os preços seguirem elevados.






