Fundos de investimento que fecharam o ano “comprados” em US$ 4,4 bilhões desmontaram essas apostas na virada de ano. Tratavam-se de posições que lucram com as altas do dólar. Agora, esses fundos voltaram a se posicionar a favor do real, ainda que levemente.
Eles passaram a deter posição vendida em dólar — que ganha com uma queda da moeda americana — de US$ 610 milhões no fechamento da última quinta-feira, 9 de janeiro, de acordo com dados de derivativos cambiais da B3 compilados pela Bloomberg. A cifra indica que os gestores venderam cerca de US$ 5 bilhões desde o fim de 2024 em derivativos.
A Kapitalo Investimentos, uma das principais gestoras de recursos independentes do país, disse em carta mensal de gestão que zerou a posição vendida no real.
O mês de dezembro teve uma intensa deterioração da percepção de risco fiscal que levou o dólar à máxima histórica, firmando-se acima de R$ 6. Nesse período, os investidores locais ficaram momentaneamente comprados pela primeira vez na divisa americana desde março de 2023, em meio ao forte fluxo de saída de recursos do país e à venda de dólar à vista pelo Banco Central.
O dólar acumula recuo de cerca de 1% neste começo de ano. A divisa chegou a cair ao menor nível em quase um mês na última quinta-feira.
Na posição oposta, os investidores estrangeiros reduziram a posição comprada de US$ 67,9 bilhões no último pregão do ano passado para US$ 63,9 bilhões no dia 9, de acordo com os dados.
Debêntures e fundos dominam captação no mercado de capitais
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de aumentar, pela segunda vez consecutiva, a taxa Selic para 12,25% em novembro de 2024, deve intensificar os movimentos nos mercados financeiros.
Historicamente, elevações nas taxas de juros tendem a impulsionar a migração de investimentos para ativos de renda fixa, com destaque para as debêntures, já que muitas empresas antecipam suas captações para se proteger de potenciais aumentos nos custos de financiamento.
Por outro lado, os investidores buscam maior segurança, liquidez e previsibilidade, priorizando a preservação de capital.






