A ByteDance, companhia chinesa dona do TikTok, foi autorizada a adquirir as ações da Casa dos Ventos (CDV) referentes à empresa ExportData Company I S.A., responsável pela construção de um conjunto de cinco data centers no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp).
O investimento total previsto para os empreendimentos do chamado Green Digital Hub (Polo Digital Verde, em tradução livre) é de R$ 571 bilhões.
Ao longo desta semana, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) autorizaram, sem necessidade de recursos contrários, a aquisição das ações da ExportData Company por parte da ByteDance.
No Cade, o processo se desenrolou em menos de um mês. Após a entrada do pedido para a compra das ações, em 12 de dezembro de 2025, o processo foi analisado pelo Conselho, e a decisão favorável foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última segunda-feira (5).
Já o parecer positivo da CZPE saiu no DOU na última quinta-feira (8).
O que está por trás dessa compra?
O complexo de data centers no Pecém foi criado, na visão de especialistas, como uma solução de demanda mais rápida do que os empreendimentos de HIdrogênio Verde, que ainda não começaram a sair do papel, para a crescente oferta por energia na região.
Essa análise é compartilhada por Eduardo Tude, presidente da Teleco. Para ele, o fato de a ByteDance passar a concentrar as ações da ExportData indica que o uso dos equipamentos será quase que exclusivo da companhia chinesa.
“O data center vai ser basicamente usado pela ByteDance e não por outros clientes. É o que fazem normalmente companhias como Meta (dona do Facebook) e Alphabet (dona do Google): ocupam o data center inteiro. Alguns ainda deixam que alguma empresa grande construa e ficam pagando aluguel”, pondera.
Rodrigo Porto, professor titular de telecomunicações da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca que se trata de um projeto “maior do que o que se imaginava inicialmente“, situação que faz com que a ByteDance queira “ter um controle completo”.
“Ainda que a Casa dos Ventos continue como principal fornecedora de energia, o controle da ByteDance vai dar segurança até mesmo jurídica de a empresa tocar o projeto de acordo com os seus padrões internacionais de qualidade. Nota-se ser um investimento estratégico para a empresa”, define o especialista.
“Muda a característica tradicional do Pecém e transforma-o em um polo também digital, com produção de riqueza a nível global, atraindo investimentos de telecomunicações de alta velocidade, inteligência artificial. Já estávamos no mapa de data centers com o hub da Praia do Futuro em Fortaleza, e essas infraestruturas efetivamente nos coloca em destaque”, completa Porto.
Cade afirma que não há concorrência para aquisição da empresa
A ByteDance explicou, em um dos formulários apresentados ao Cade, os motivos da compra. A ExportData Company I S.A., definida como a “sociedade-alvo”, foi constituída no início de 2025 a partir de uma parceria entre a dona do TikTok e a Casa dos Ventos, com atuação como exportadora de atividades de processamento de dados na ZPE Ceará.
“A sociedade-alvo não é operacional, não detém ativos e apenas obteve aprovação do CZPE para as atividades que futuramente desenvolverá na ZPE Ceará. Para a compradora, a aquisição da sociedade-alvo é a forma mais rápida de viabilizar o início da exportação de atividades de processamento de dados. Para a CDV, por sua vez, a operação representa oportunidade estratégica para criação de demanda e expansão de seus projetos de geração de energia renovável no Brasil”, declara o formulário no Cade.
O posicionamento favorável do conselho afirma que a “operação não gera quaisquer sobreposições horizontais ou relações verticais entre as atividades da ByteDance e aquelas que serão exercidas pela sociedade-alvo no futuro”.
O investimento universal no data center da ByteDance gira em torno dos R$ 200 bilhões. Já os outros quatro equipamentos, de propriedade da ExportData, devem receber aporte de cerca de R$ 350 bilhões.






