Motoristas e entregadores de aplicativo movimentam milhões de corridas e pedidos no Brasil. Mas, afinal, quanto ganha um motorista de aplicativo?
Segundo dados do IBGE, os motoristas de automóvel que trabalhavam por plataformas receberam, em média, R$ 2.873 por mês em 2025.
No entanto, o rendimento por hora ficou em R$ 14,40. O valor foi inferior aos R$ 16 registrados entre motoristas que não utilizavam plataformas.
A diferença está principalmente na jornada. Enquanto os motoristas de aplicativo trabalhavam, em média, 45,9 horas por semana, os demais condutores cumpriam 40,4 horas.
Dessa forma, o levantamento ajuda a mostrar não apenas quanto esses profissionais recebem. Além disso, os dados também ajudam a entender a capacidade de comprovação de renda da categoria.
Esse ponto ganhou importância depois que a Caixa passou a considerar rendimentos obtidos em plataformas digitais na análise de crédito imobiliário.
Quanto ganha um motorista de aplicativo?
A pesquisa do IBGE mostra os principais números sobre a renda dos motoristas de aplicativo em 2025:
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Rendimento médio por hora | R$ 14,40 |
| Rendimento médio mensal | R$ 2.873 |
| Jornada semanal média | 45,9 horas |
| Rendimento por hora de todos os trabalhadores de plataformas | R$ 16,20 |
| Extratos exigidos pela Caixa | 4 meses |
Além dos motoristas, o IBGE analisou todo o universo de trabalhadores de plataformas digitais de serviços.
O levantamento identificou cerca de 2 milhões de pessoas nessa condição no país. O número equivale a 1,9% da população ocupada.
Desse total, aproximadamente 1,2 milhão trabalhavam com transporte de passageiros. Outros 585 mil atuavam em aplicativos de entrega de comida e produtos.
Motorista de app trabalha mais e ganha menos por hora
Quando o IBGE considera todos os trabalhadores de plataformas, o rendimento mensal médio chega a R$ 3.147.
Segundo levantamento do InfoMoney, esse valor praticamente se iguala aos R$ 3.148 registrados entre trabalhadores não plataformizados do setor privado.
Porém, a diferença aparece quando a jornada entra na conta.
Os trabalhadores de aplicativos cumpriam, em média, 44,7 horas por semana. Já os demais ocupados do setor privado trabalhavam 39,3 horas.
Assim, os profissionais de plataformas trabalhavam 5,4 horas a mais por semana.
Como consequência, o rendimento médio por hora ficou em R$ 16,20, cerca de 12% abaixo dos R$ 18,40 registrados entre os trabalhadores não plataformizados.
No caso dos motoristas de automóvel, o cenário se repete.
Embora os motoristas de aplicativo tenham recebido R$ 2.873 por mês, contra R$ 2.805 dos demais condutores, eles precisaram trabalhar mais horas para alcançar essa renda.
Por isso, o rendimento médio por hora ficou em R$ 14,40. Entre os outros motoristas, o valor chegou a R$ 16.
Quem trabalha com aplicativos no Brasil?
O levantamento também mostra o perfil dos trabalhadores de plataformas.
Os homens representam 84,4% desse grupo. Além disso, os jovens adultos concentram grande parte dos profissionais.
A faixa entre 25 e 39 anos representa 47% dos trabalhadores de aplicativos.
Em relação à escolaridade, 62,5% tinham ensino médio completo ou superior incompleto.
A flexibilidade de horários aparece como principal motivo para trabalhar com plataformas. Essa justificativa foi citada por 26,8% dos entrevistados.
Depois, vieram a dificuldade para encontrar outro emprego, com 24,6%, e a expectativa de obter rendimento maior, com 20,8%.
Como a Caixa considera a renda de motorista de aplicativo?
Os números também ganham importância para quem pretende financiar um imóvel.
A Caixa passou a considerar a renda obtida por profissionais de aplicativos de mobilidade e delivery na análise de crédito imobiliário.
Segundo reportagem do InfoMoney sobre as regras, os rendimentos das plataformas podem entrar na avaliação de financiamento, inclusive em operações do Minha Casa, Minha Vida.
No entanto, a mudança não garante aprovação automática.
A Caixa continua avaliando a capacidade de pagamento, o cadastro do cliente e os demais critérios exigidos pela operação.
Para comprovar a renda obtida com aplicativos, o trabalhador precisa apresentar quatro meses consecutivos de extratos de recebimentos da mesma plataforma.
Além disso, o comprovante mais recente deve ter sido emitido no máximo dois meses antes da análise.
O trabalhador também precisa apresentar um resumo fiscal mensal emitido pela própria plataforma, como Uber, 99 ou iFood.
Dessa maneira, o histórico ajuda o banco a avaliar a regularidade e a consistência da renda.
Previdência alcança poucos motoristas de aplicativo
Outro dado chama atenção no levantamento do IBGE: a baixa cobertura previdenciária.
Apenas 34% dos trabalhadores de plataformas contribuíam para a Previdência Social em 2025.
Entre os motoristas de automóvel que utilizavam aplicativos, a proporção caiu para 25,5%.
Enquanto isso, 59,2% dos motoristas que não trabalhavam por plataformas contribuíam para algum instituto de Previdência.
Portanto, a situação financeira desses profissionais não depende apenas do rendimento mensal. Jornada, custos da atividade e proteção previdenciária também entram nessa equação.
Aplicativos definem preços para a maioria dos motoristas
A pesquisa também mostra a influência das plataformas sobre o trabalho dos motoristas.
Entre os profissionais de transporte particular, excluindo taxistas, 80,2% afirmaram que o aplicativo determinava integralmente o valor a receber.
Além disso, 25,3% disseram que a jornada sofria influência de ameaças de punição ou bloqueio aplicadas pelas plataformas.
Ao mesmo tempo, a relação entre empresas e motoristas continua no centro de disputas judiciais.
Segundo o InfoMoney, o Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública contra a Uber envolvendo o programa “Passe para Motoristas”.
A ação pede R$ 321 milhões em indenização por dano moral coletivo. O MPT questiona a cobrança antecipada para acesso ao modelo e afirma que a medida pode transferir riscos da atividade aos motoristas.
A Uber nega as acusações. Segundo a empresa, o programa representa uma alternativa ao modelo tradicional de cobrança por viagem e busca oferecer mais previsibilidade aos parceiros.
Quanto o motorista realmente ganha?
Os dados do IBGE mostram que o rendimento mensal não conta toda a história.
Em 2025, o motorista de automóvel que trabalhava por aplicativo recebeu, em média, R$ 2.873 por mês.
Por outro lado, esse profissional trabalhou 45,9 horas por semana. Entre os demais motoristas, a jornada ficou em 40,4 horas.
Como resultado, o rendimento médio por hora dos motoristas de aplicativo caiu para R$ 14,40.
Entre os motoristas que não utilizavam plataformas, o valor ficou em R$ 16.
Segundo o levantamento, o rendimento considera o valor efetivamente retirado pelo trabalhador após despesas necessárias para exercer a atividade, como combustível.
Assim, para entender quanto ganha um motorista de aplicativo, é preciso considerar não apenas o valor recebido no mês. Também é necessário observar a jornada e os custos envolvidos no trabalho.
Principais dados sobre trabalhadores de aplicativos
| Indicador | Dados |
|---|---|
| Trabalhadores de plataformas em 2025 | Cerca de 2 milhões |
| Transporte de passageiros | 1,2 milhão |
| Entregadores de aplicativos | 585 mil |
| Rendimento mensal médio das plataformas | R$ 3.147 |
| Rendimento médio por hora | R$ 16,20 |
| Jornada semanal média | 44,7 horas |
| Rendimento por hora dos motoristas de app | R$ 14,40 |
| Jornada dos motoristas de app | 45,9 horas |
| Contribuição à Previdência entre plataformizados | 34% |
| Contribuição à Previdência entre motoristas de app | 25,5% |






