O TikTok anunciou na última quinta-feira que chegou a um acordo com investidores não chineses para criar uma nova entidade nos Estados Unidos, encerrando uma disputa legal de seis anos sobre sua presença no mercado americano. O aplicativo, que conta com mais de 200 milhões de usuários no país, estava ameaçado de banimento por questões de segurança nacional relacionadas à sua proprietária chinesa, a ByteDance.
A nova estrutura coloca investidores como a Oracle, a empresa de investimentos emiradense MGX e a Silver Lake no controle de mais de 80% da operação americana. A ByteDance ficará com participação inferior a 20%. Adam Presser, ex-chefe de operações do TikTok, assumirá como CEO da versão americana, segundo informou o New York Times.
Como ficará a nova operação
O conselho de administração terá sete membros, com maioria americana. Shou Chew, atual CEO global do TikTok, ocupará uma das cadeiras. A entidade será responsável pela moderação de conteúdo na plataforma, decidindo quais publicações podem permanecer ou devem ser removidas.
Entre os investidores estão também a entidade de investimentos pessoais de Michael Dell, fundador da Dell Technologies, além de empresas como General Atlantic e Susquehanna, que já haviam investido anteriormente na ByteDance. Cada um dos três principais investidores (Oracle, MGX e Silver Lake) deterá 15% da nova empresa.
A mudança visa atender a uma lei federal aprovada em 2024, que exigia que o aplicativo se separasse da ByteDance até o início de 2025 ou enfrentaria proibição. A Suprema Corte dos Estados Unidos apoiou unanimemente a medida. O TikTok chegou a ficar fora do ar por 14 horas quando o prazo se aproximou, antes que o presidente Donald Trump adiasse formalmente a aplicação da lei após reassumir o cargo em janeiro.
Questões ainda em aberto
Apesar do acordo, permanece indefinido quanto o arranjo mudará a experiência dos usuários americanos. A ByteDance continuará detendo o algoritmo do aplicativo, apenas licenciando seu uso para a nova entidade nos Estados Unidos. Esse ponto gerou críticas de especialistas que questionam se o acordo realmente atende aos requisitos da lei de 2024.
Segundo o New York Times, Anupam Chander, professor de direito e tecnologia da Universidade Georgetown, expressou preocupação com a possibilidade de que determinadas visões políticas possam ganhar mais espaço na plataforma. Michael Sobolik, pesquisador sênior do Instituto Hudson, avaliou que as preocupações com segurança nacional podem continuar mesmo após o acordo.
O valor da versão americana do TikTok permanece incerta. O vice-presidente JD Vance afirmou em setembro que a empresa valeria US$ 14 bilhões. Em comparação, a ByteDance foi avaliada em US$ 480 bilhões no mercado privado.
Conexões políticas geram questionamentos
Vários dos novos investidores mantêm vínculos com o presidente Trump. Larry Ellison, cofundador da Oracle, possui relação próxima com Trump e chegou a defender diretamente junto ao presidente a proposta de seu filho, David Ellison, para adquirir a Warner Bros. Discovery. A MGX realizou negócios com a empresa de criptomoedas da família Trump, a World Liberty Financial.
Lindsay Gorman, ex-consultora sênior no governo Biden, comentou ao New York Times que após anos de discussões, o resultado final não se distanciou muito do ponto de partida. O governo chinês não se pronunciou publicamente sobre o anúncio, embora Pequim tenha sido considerado um obstáculo importante para a conclusão do acordo nos últimos anos.






