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A nova oferta dos bancos credores aumenta a tensão na reestruturação da Raízen

Carla Santiago por Carla Santiago
20 de abril de 2026
em Negócios
A nova oferta dos bancos credores aumenta a tensão na reestruturação da Raízen

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Os credores bancários da Raízen apresentaram uma nova proposta de reestruturação financeira à companhia. O movimento aumenta a pressão sobre a empresa em uma fase decisiva das negociações. O objetivo é evitar que a crise de capital termine em recuperação judicial.

Segundo informações da Bloomberg, o plano prevê que 30% dos recursos obtidos com a venda de ativos na Argentina sejam usados para amortizar a dívida. Além disso, os bancos querem mudanças na governança da companhia.

Entre os pedidos, está a saída de Rubens Ometto da presidência do conselho da Raízen. A exigência repete uma demanda que já havia sido feita por detentores de títulos. Assim, a insatisfação com a atual estrutura de comando ganha força entre diferentes grupos de credores.

Reestruturação da Raízen entra em nova etapa

A nova investida dos bancos ocorre depois de uma sequência de tentativas para reorganizar a estrutura de capital da companhia. Em março, a Raízen fechou um acordo de reestruturação extrajudicial para uma dívida de cerca de R$ 65,1 bilhões. Segundo a Reuters, esse foi o maior processo desse tipo já registrado no País.

Naquele momento, a empresa informou que já contava com apoio de credores que representavam 47% da dívida sem garantia. O plano também abriu um prazo de 90 dias para buscar adesão mais ampla. Desde então, as conversas se intensificaram.

Ao mesmo tempo, diferentes grupos passaram a apresentar propostas próprias. Essas propostas envolvem capitalização, conversão de dívida em ações e mudanças na gestão. Por isso, a reestruturação deixou de ser apenas uma discussão de caixa.

Venda de ativos na Argentina ganha peso

Pela nova proposta, 30% dos recursos da venda de ativos argentinos iriam direto para o pagamento da dívida. Esse ponto reforça a tentativa dos credores de atrelar desinvestimentos a uma desalavancagem imediata. Em outras palavras, os bancos querem ver parte do caixa entrando rapidamente no balanço.

A Raízen já vinha indicando que uma saída para a crise poderia passar por venda de ativos, emissão de novas dívidas e até conversão de créditos em ações. Portanto, a exigência dos bancos não surge do nada. O que muda agora é a destinação explícita de parte desses recursos.

Pressão sobre Rubens Ometto cresce

A situação de Rubens Ometto virou um dos temas mais delicados da negociação. Credores bancários e detentores de títulos passaram a convergir nesse ponto. Ambos defendem que ele deixe a presidência do conselho da Raízen.

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Com isso, a disputa deixa de ser apenas financeira. Ela passa também pelo poder de decisão dentro da empresa. Esse movimento ganha ainda mais peso porque Ometto é fundador da Cosan (CSAN3), controladora da joint venture com a Shell.

Em março, a Reuters informou que a Shell aceitou aportar R$ 3,5 bilhões na Raízen. Já Ometto prometeu outros R$ 500 milhões por meio de seu family office. Mesmo assim, parte dos credores continuou demonstrando desconforto com o desenho da solução e com a influência dos atuais controladores.

Shell amplia relevância na solução

A Shell se consolidou como peça central na tentativa de estabilizar a Raízen. Em março, a petroleira confirmou o apoio ao processo. O aporte previsto é de R$ 3,5 bilhões.

A companhia também demonstrou preferência por manter a Raízen como uma operação integrada. Ou seja, a Shell não indicou apoio a um desmonte imediato da estrutura. Esse posicionamento ajuda a entender o peso da empresa nas negociações atuais.

Por outro lado, a Cosan não mostrou capacidade de acompanhar a sócia no mesmo patamar financeiro. Isso alimentou a leitura de que a Shell pode ganhar mais espaço caso a reestruturação avance com conversão de dívida em ações. Essa é uma inferência baseada nos cenários descritos pela Reuters.

Crise operacional explica a urgência

A deterioração financeira da Raízen não começou por um único fator. Segundo a Reuters, a companhia vem sofrendo com juros altos, investimentos pesados e retorno abaixo do esperado. Além disso, problemas operacionais agravaram o quadro.

Entre esses problemas, aparecem clima adverso, incêndios e impactos na safra e na moagem de cana. Esses obstáculos vieram acompanhados de resultados abaixo do esperado. Como consequência, a pressão sobre a estrutura de capital aumentou.

Em fevereiro, a empresa chegou a alertar para “incerteza significativa” sobre sua capacidade de continuar operando. Esse sinal acendeu o alerta entre credores, acionistas e parceiros comerciais. Desde então, a corrida por uma solução ganhou velocidade.

Tags: empresasnegócios

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