A distribuidora de insumos agrícolas Lavoro vai encerrar integralmente suas operações no estado de São Paulo nos próximos 60 dias. A medida faz parte do processo de reestruturação da empresa após a aquisição pela gestora de ativos estressados AGI (Arcos Gestão e Investimento).
Além disso, integra o plano de recuperação extrajudicial voltado à redução de custos e à recuperação da rentabilidade.
Em nota, a Lavoro confirmou, então, que fechará todas as unidades paulistas e desligará as equipes que atuam no estado.
A companhia, contudo, não informou quantos funcionários serão demitidos nem estimou o impacto financeiro da reestruturação.
Com a mudança, a empresa concentrará suas principais operações no Paraná. Nesse sentido, o estado responde pela maior parte do faturamento da distribuidora e onde fica sua atual sede.
Lojas serão fechadas em todo o estado
Segundo o site da companhia, a Lavoro possui 14 unidades em São Paulo. Assim, distribuídas entre os municípios de Ourinhos, Assis, Ibitinga, Porto Ferreira, Leme, Limeira, Artur Nogueira, Sumaré, Mogi Mirim, Pinhalzinho, Itapeva, Itapetininga, Casa Branca e São José do Rio Pardo.
Antes mesmo da confirmação oficial, fontes ligadas ao agronegócio paulista já indicavam o fechamento de lojas em cidades do interior, como Itapetininga.
Além disso, pessoas ouvidas pela reportagem afirmaram que funcionários de algumas unidades já foram comunicados sobre o encerramento das atividades ao longo dos próximos dois meses. Até o momento, porém, a empresa não divulgou o número de demissões.
De acordo com uma fonte ouvida sob condição de anonimato, a alta da inadimplência entre produtores rurais e a dificuldade para receber pagamentos dentro dos prazos previstos agravaram a situação financeira das revendas da companhia.
Dessa forma, a Lavoro deixará de atuar em São Paulo, um dos principais polos econômicos do país e um dos cinco maiores produtores de grãos do Brasil.
Compra pela AGI mudou estratégia
Em março deste ano, a AGI adquiriu 100% das operações da Lavoro, menos de um mês após a empresa deixar a Nasdaq. Na ocasião, a própria companhia afirmou que a transação buscava um novo controlador capaz de conduzir sua reorganização financeira.
Além disso, a chegada da AGI marcou uma mudança de estratégia. Especializada em reestruturação empresarial, a gestora passou a priorizar medidas voltadas ao ajuste operacional e financeiro da companhia.
Com isso, o mercado deixou de enxergar a Lavoro como uma empresa focada na expansão por aquisições. Desse modo, passando a acompanhar um plano centrado na reorganização financeira, na revisão das operações e na recuperação das margens.
Empresa tenta superar crise financeira
Criada em 2017 pelo Pátria para consolidar o mercado de distribuição de insumos agrícolas, a Lavoro realizou mais de 20 aquisições e abriu capital na Nasdaq em 2023.
Entretanto, a companhia começou a enfrentar uma forte deterioração financeira a partir de 2024. Entre os principais fatores estiveram a restrição de crédito no agronegócio, a pressão sobre as margens, os problemas de estoque durante a temporada de plantio e o aumento das dificuldades financeiras dos produtores rurais.
Desde então, a empresa adotou uma série de medidas para reduzir sua estrutura. Entre elas, fechou dezenas de lojas, vendeu a Crop Care — divisão de insumos especiais — ao próprio Pátria e homologou um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 2,5 bilhões em dívidas.
Agora, com o encerramento das operações em São Paulo, a Lavoro dá mais um passo na estratégia de enxugamento da estrutura e concentração das atividades em mercados considerados prioritários.






