A Apple assumiu a liderança global nas vendas de smartphones no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de 5% na comparação anual e 21% de participação de mercado, segundo dados da Counterpoint Research divulgados nesta última sexta-feira (10). Foi a primeira vez que a companhia ficou na dianteira do setor em um primeiro trimestre.
O desempenho ganhou ainda mais relevância porque o mercado global andou na direção oposta. No mesmo período, as remessas mundiais de smartphones caíram 6% em relação a um ano antes, pressionadas pela escassez de componentes de memória e por um ambiente de consumo mais cauteloso. A Counterpoint também apontou que as tensões no Oriente Médio pesaram sobre o sentimento do consumidor.
Apple avança mesmo com mercado em queda
Segundo a Counterpoint, a Apple sustentou a liderança graças ao posicionamento premium da marca, à cadeia de suprimentos mais integrada e ao desempenho na China. Esse ponto chama atenção porque o mercado chinês vinha sendo um foco importante de preocupação para investidores e analistas nos últimos trimestres.
A Reuters destacou ainda que a fabricante do iPhone registrou uma alta de 23% nas vendas de smartphones na China nas primeiras nove semanas de 2026. Esse avanço ajudou a compensar a desaceleração mais ampla do setor e reforçou o fôlego comercial da companhia no início do ano.
Samsung perde espaço e Xiaomi mantém 3º lugar
A Samsung ficou na segunda posição, com 20% de participação global, após uma queda de 6% nas remessas em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Segundo a Counterpoint, o resultado refletiu o lançamento atrasado do Galaxy S26 e uma fraqueza maior no segmento de entrada.
Já a Xiaomi preservou o terceiro lugar, com 13% de participação de mercado. Ainda assim, a marca foi a que mais caiu entre as cinco principais fabricantes globais no trimestre.
Escassez de memória pressionou todo o setor
A retração global do mercado veio num momento em que fabricantes de componentes priorizam áreas ligadas à inteligência artificial e a data centers, em vez da eletrônica de consumo. Segundo a analista Shilpi Jain, da Counterpoint, essa mudança de foco ajuda a explicar parte da pressão sobre a produção de smartphones.
Na prática, isso significa que a Apple cresceu num ambiente ainda mais desafiador. Ou seja, a liderança da empresa não veio em um trimestre de expansão generalizada, mas em um cenário de restrição de oferta e desaceleração do setor.






