Há muitos preceitos sobre o mundo dos investimentos, como a necessidade de investir em grandes quantias, a única forma de investir ser na Bolsa de Valores, entre outros.
Para saber como dar início à uma jornada no mercado, esses conceitos precisam ser quebrados, então este guia irá te direcionar a como começar essa caminhada.
Preciso ser rico para investir?
Você talvez já tenha considerado começar a investir, mas pode ter desistido ao pensar que é necessário possuir uma quantia significativa de dinheiro. Se isso já aconteceu com você, é importante saber que chegou o momento de superar esse receio: É absolutamente viável aprender a investir com recursos limitados.
Além disso, não é necessário se limitar à Poupança. Embora muitos brasileiros ainda a prefiram, é crucial entender que a Poupança pode gerar retornos insatisfatórios. Comparado a outras opções de investimento que oferecem resultados melhores com a mesma segurança, o rendimento da Poupança é substancialmente inferior. Portanto, deixar seu dinheiro parado na Poupança pode causar frustrações no futuro.
Em muitos casos, ao investir gradualmente, mesmo com uma quantia pequena, a riqueza começa a se acumular ao longo do tempo.
Existem alternativas de investimento para atender a todas as faixas de orçamento, níveis de conhecimento e disponibilidade de tempo. Na categoria de renda fixa, os títulos públicos federais disponíveis no Tesouro Direto podem ser adquiridos com quantias muito modestas. É possível começar com compras a partir de apenas R$ 30, o equivalente ao custo de uma pizza.
Para aqueles que têm a capacidade de economizar um pouco mais, é possível investir em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que são instrumentos financeiros comuns no setor bancário, com investimentos de R$ 500 ou até menos.
Caso gere dúvidas se realmente vale a pena investir em quantias pequenas, a resposta é sim. Podemos seguir o exemplo dos CDBs, já citados. A remuneração desse tipo de investimento segue a lógica dos juros compostos, isso significa que os retornos que você recebe ao longo do tempo são incorporados ao seu patrimônio, gerando juros sobre juros.
Por exemplo, se você investir R$ 1.000 em um CDB com juros de 5%, terá R$ 1.050 ao final do primeiro ano. No segundo ano, os 5% de juros serão aplicados sobre esse novo valor, R$ 1.050, e não apenas sobre os R$ 1.000 iniciais. Os ganhos, portanto, são exponenciais, não lineares.
Além disso, mesmo na categoria de renda variável, existem oportunidades para investidores com valores menores. Alguns fundos de investimento permitem aplicações iniciais a partir de R$ 500.
Em vez de esperar até acumular uma quantia maior, pode ser que seja mais viável começar a investir mesmo com um montante pequeno, aproveitando produtos que permitem aplicações menores. O ponto-chave é que iniciar seus investimentos cedo é fundamental, pois ao longo do tempo, os rendimentos se acumulam, gerando ganhos cada vez mais expressivos no futuro.

Pontos principais para aprender antes de investir
- Inicie com um planejamento financeiro sólido. Isso envolve rastrear suas finanças, registrando todas as suas receitas e despesas, incluindo gastos recorrentes, como seguros e impostos. Usar planilhas ou aplicativos para celular pode ser útil. Uma vez que você tenha um plano financeiro em mãos, identifique despesas supérfluas e oportunidades de economia para disponibilizar mais dinheiro para investimentos.
- Avalie o quanto você pode investir com base em sua renda. Em geral, é recomendado destinar cerca de 20% de sua renda total para investimentos, seguindo a regra 50-30-20. Isso significa que 50% da sua renda deve ser destinada a despesas essenciais, 30% para seu estilo de vida, como roupas e lazer, e 20% para poupança e investimentos. No entanto, é importante observar que cada pessoa possui circunstâncias individuais, e é crucial avaliar caso a caso. Evite investimentos que gerem dívidas devido a custos elevados.
- Familiarize-se com os diferentes tipos de investimentos. Existem dois principais: Renda Fixa, que oferece um rendimento pré-fixado e é garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), e Renda Variável, que envolve rendimentos variáveis e não oferece garantias de retorno. Na Renda Fixa, você pode encontrar opções como poupança, Tesouro Direto Selic, CDBs, RDBs, LCA, LCI e fundos pré-fixados. Na Renda Variável, além de ações na Bolsa de Valores, há também títulos pós-fixados do Tesouro Direto, fundos imobiliários (FIIs), criptomoedas e investimentos em venture capital e private equity, entre outros.
- Identifique o seu perfil de investidor. A determinação do seu perfil faz parte da regulamentação dos investimentos no Brasil. Isso significa que, com o objetivo de auxiliar os investidores brasileiros a tomarem decisões de investimento alinhadas às suas expectativas, os bancos e corretoras são obrigados a fornecer um formulário a todos os clientes antes de iniciarem seus investimentos. Após responder a algumas perguntas, como “qual é o horizonte de investimento desejado” e “qual é o seu nível de tolerância ao risco”, a corretora irá determinar qual é o seu perfil de investidor e quais modalidades de investimento são mais adequadas para você. Isso permite que você inicie seus investimentos com foco nas áreas que são mais relevantes para seus objetivos financeiros. Essa prática também é conhecida como suitability. Portanto, é fundamental prestar atenção a alguns detalhes, como as taxas cobradas, a qualidade do atendimento ao cliente e a tecnologia oferecida pela plataforma.
- Comece com investimentos de baixo risco. Embora não haja uma regra estrita sobre começar com renda fixa antes da renda variável, essa abordagem é geralmente recomendada, pois a renda fixa é mais adequada para a construção de uma reserva de emergência e exige menos conhecimento e tolerância ao risco.
- Estabeleça metas claras. Defina seus objetivos de curto, médio e longo prazo. Para metas de curto prazo (até um ano), como construir uma reserva de emergência ou comprar um celular novo, e para metas de médio prazo (próximos cinco anos), como uma viagem, considere investimentos mais seguros. Reserve a renda variável para objetivos de longo prazo, como a compra de uma casa ou a construção de um portfólio de investimentos para gerar renda.
- Esteja ciente das taxas administrativas. É essencial entender as taxas envolvidas em cada investimento e quanto tempo você planeja manter seu dinheiro investido. A taxa de administração ou custódia é um valor cobrado como porcentagem do total do fundo e varia de instituição para instituição e de produto para produto.
- Avalie a liquidez dos investimentos. Isso significa entender quão rapidamente você pode acessar seu dinheiro investido quando necessário. Considere suas necessidades de saque ao escolher investimentos.
- Diversifique sua carteira de investimentos. Distribua seu dinheiro em vários tipos de ativos para reduzir o risco. A diversificação também pode gerar um fluxo de caixa constante de seus investimentos, que pode ser reinvestido ou usado para cobrir despesas. Manter uma carteira diversificada ajuda a proteger contra a volatilidade do mercado.
- Mantenha disciplina e perseverança. Evite tomar decisões baseadas em impulsos emocionais e mantenha o foco em seus objetivos financeiros. Lembre-se de que os investimentos de renda fixa podem não gerar retornos imediatos, então seja paciente e continue investindo. Em relação à bolsa de valores, mantenha a calma e evite reações impulsivas às flutuações diárias do mercado.
Como investir com R$100?
Iniciar investimentos com apenas R$100 não é algo impossível, mas é importante ressaltar que os retornos obtidos estarão diretamente relacionados ao valor investido.
Portanto, se você está investindo uma quantia menor, como R$100, é claro que seus rendimentos serão proporcionalmente menores em comparação a alguém que investiu R$1.000. No entanto, essa diferença não deve ser motivo para não ir a diante.
Tipos de investimento
Renda Fixa
Investimentos de renda fixa são caracterizados pelo cálculo dos rendimentos sendo definidos no momento da aplicação. Ao investir em um ativo de renda fixa, o investidor, essencialmente, empresta seu dinheiro ao emissor, que pode ser o governo (no caso de títulos públicos) ou empresas (por exemplo, debêntures).
As condições do investimento, como o prazo e a taxa de juros, são acordadas antes da aplicação, o que proporciona uma previsibilidade maior aos investidores. Eles sabem antecipadamente quanto receberão no futuro, tornando a renda fixa uma opção mais segura em comparação com a renda variável.
Existem várias opções de investimentos de renda fixa, adequadas para investidores iniciantes, como CDBs, LCIs, LCAs, títulos do Tesouro Direto, entre outros.
Renda Variável
Investimentos de renda variável, por outro lado, são caracterizados pela imprevisibilidade dos retornos no momento do investimento. O rendimento desses investimentos depende das condições do mercado, e os investidores não podem determinar com antecedência o quanto ganharão.
Um exemplo clássico de renda variável é o mercado de ações, onde os investidores compram ações de empresas na esperança de que seu valor aumente ao longo do tempo. No entanto, não há garantia de ganhos, e as ações também podem desvalorizar.
Outros exemplos de investimentos de renda variável incluem fundos de investimento em ações, criptomoedas e commodities. Esses investimentos são geralmente mais arriscados e não são recomendados para investidores iniciantes, pois exigem um bom entendimento do mercado e uma maior tolerância ao risco.
Em resumo, a renda fixa oferece maior previsibilidade de retorno, enquanto a renda variável envolve mais incerteza e risco. A escolha entre os dois tipos de investimento depende dos objetivos financeiros, do perfil de risco e do conhecimento do investidor.
Sobre prazo de investimentos
- Investimento de curto prazo (até 1 ano): Este tipo de investimento possui um horizonte de tempo de até um ano. Recomenda-se alocar esses recursos em aplicações de liquidez diária, principalmente quando se trata da sua reserva de emergência. Estes fundos devem estar prontamente disponíveis para enfrentar despesas inesperadas;
- Investimento de médio prazo (1 a 5 anos): Estes investimentos têm um período de um a cinco anos. É aceitável alocar parte desse capital em produtos com risco moderado e certa volatilidade, mesmo que não sejam totalmente líquidos. O investidor dispõe de tempo para recorrer a essa reserva, caso necessário;
- Investimentos de longo prazo (mais de 5 anos): Estes investimentos têm um horizonte temporal superior a cinco anos. Nesse caso, o investidor pode considerar a aplicação em ativos de prazo mais longo e maior volatilidade, embora isso implique um maior risco de mercado, há também um maior potencial de ganhos a longo prazo.
Como diferenciar risco e retorno
Cada tipo de investimento carrega consigo uma expectativa de retorno que varia de acordo com diversos fatores, sendo a relação entre risco e retorno um dos mais significativos. De forma geral, quanto maior que um investimento tem, maior tende a ser a expectativa de retorno. No entanto, investimentos considerados de menor risco tendem a apresentar um retorno esperado mais modesto.
Portanto, a escolha de onde investir deve ser baseada em uma avaliação cuidadosa do seu perfil de risco, metas financeiras e horizonte de investimento. Investidores com maior tolerância ao risco podem optar por ações em busca de retornos mais elevados, enquanto aqueles que priorizam a segurança podem preferir a renda fixa. A diversificação da carteira, que inclui uma combinação de ativos de diferentes classes, é uma estratégia comum para equilibrar risco e retorno.
Vale a pena investir com nome sujo?
A resposta depende de uma análise cuidadosa da relação entre os potenciais ganhos de um investimento e os custos associados aos juros de uma dívida pendente. Muitas vezes, linhas de crédito acessíveis, como o cheque especial ou empréstimos pessoais para consumo, cobram taxas de juros elevadas. Em geral, é aconselhável quitar dívidas desse tipo o mais rápido possível, pois elas podem ser bastante onerosas.
Em muitos casos, é difícil encontrar uma aplicação financeira, especialmente as mais comuns para investidores iniciantes, que ofereça um retorno superior aos juros cobrados por essas linhas de crédito. Portanto, faz sentido direcionar qualquer dinheiro disponível para quitar a dívida primeiro. Uma vez que a dívida seja zerada, você estará em uma posição melhor para investir de forma mais eficaz.
A única situação em que pode ser lógico investir enquanto ainda se tem uma dívida não quitada é quando o investimento oferece um rendimento maior do que os juros cobrados pela linha de crédito. Por exemplo, imagine ter um financiamento imobiliário com taxas muito baixas, em comparação com um investimento que gera um retorno significativo. Nesse cenário, é possível que a diferença seja a favor do investimento, e pode ser uma boa ideia continuar investindo enquanto paga as parcelas do financiamento.
É importante lembrar que esse raciocínio geralmente se aplica a investimentos mais conservadores, como os de renda fixa. A renda variável, como ações, pode ser sujeita a flutuações significativas e, dependendo do seu horizonte de investimento, você pode incorrer em perdas financeiras. Se você tem uma dívida pendente, é sensato evitar correr riscos desnecessários.








