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Em 2026, o real apresenta uma valorização significativa, ocupando a segunda posição mundial em relação ao dólar

Carla Santiago por Carla Santiago
13 de março de 2026
em Exterior
Em 2026, o real apresenta uma valorização significativa, ocupando a segunda posição mundial em relação ao dólar

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Até 11 de março de 2026, o real brasileiro registra uma valorização de 6,64% frente ao dólar, ocupando a segunda posição entre as moedas globais que mais se apreciaram no período, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta com base em uma amostra internacional de moedas. Apenas o dólar australiano, com alta de 7,14%, apresenta desempenho superior. 

O dado chama atenção porque ocorre em um ambiente internacional marcado por elevada incerteza geopolítica, com tensões no Oriente Médio e volatilidade no mercado de energia. O aumento dos preços do petróleo, associado ao risco de interrupções logísticas no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores de transporte de petróleo do mundo, tem reforçado movimentos defensivos nos mercados globais. Ainda assim, o real se destaca positivamente. 

No ranking analisado, moedas relevantes como euro (-1,16%), iene japonês (-1,30%) e libra esterlina (-1,33%) acumulam perdas frente ao dólar no mesmo período. Até mesmo moedas emergentes tradicionalmente sensíveis ao fluxo internacional de capitais apresentam desempenho inferior ao da moeda brasileira.

O que explica a força do real 

Nos meios especializados e na academia, alguns fatores são frequentemente apontados para explicar movimentos de apreciação cambial como o observado em 2026: 

  1. Diferencial de juros ainda elevado

O Brasil historicamente mantém uma das maiores taxas reais de juros do mundo, o que favorece estratégias de carry trade, quando investidores captam recursos em moedas de juros baixos e aplicam em países com remuneração mais elevada. Esse diferencial tende a sustentar fluxos de capital para ativos brasileiros. 

  1. Exportações de commodities

A valorização de produtos como petróleo, minério de ferro e commodities agrícolas melhora os termos de troca do Brasil. Quando os preços internacionais dessas mercadorias sobem, aumenta a entrada de dólares via exportações, fortalecendo o real. 

  1. Fluxo para mercados emergentes

Em momentos de reorganização de portfólios globais, investidores institucionais podem direcionar recursos para mercados emergentes com fundamentos macroeconômicos relativamente estáveis e ativos considerados descontados. 

  1. Avaliação relativa do dólar

Embora o índice DXY, que mede a força do dólar frente a um conjunto de moedas fortes, apresente alta de 0,93% no ano, o desempenho do real sugere que parte da valorização da moeda brasileira ocorre por fatores domésticos e setoriais, não apenas pela dinâmica do dólar global.

Vantagens de um real mais forte 

A apreciação cambial traz alguns efeitos econômicos relevantes: 

Controle da inflação
Um real valorizado barateia produtos importados, ajudando a conter pressões inflacionárias, especialmente em combustíveis, eletrônicos e insumos industriais. 

Melhora do poder de compra externo
Empresas e consumidores brasileiros ganham maior poder de compra internacional, o que favorece importações de tecnologia, equipamentos e viagens ao exterior. 

Redução de custos para empresas endividadas em dólar
Companhias com passivos em moeda estrangeira se beneficiam da valorização do real, pois o custo de rolagem da dívida externa diminui em termos de moeda local.

O outro lado da moeda 

Apesar das vantagens, economistas alertam que um real excessivamente valorizado também pode gerar desafios. 

Exportadores podem perder competitividade internacional, principalmente em setores de manufatura e produtos de maior valor agregado, que competem diretamente com empresas estrangeiras. 

Além disso, movimentos cambiais muito rápidos costumam refletir fluxos financeiros de curto prazo, que podem se reverter rapidamente em cenários de maior aversão ao risco global.

Um termômetro da percepção internacional 

A posição do real entre as moedas que mais se apreciaram em 2026 funciona, portanto, como um termômetro da percepção internacional sobre o Brasil. Mesmo em um ambiente global marcado por tensões geopolíticas e volatilidade energética, a moeda brasileira mostra capacidade de atrair capital e capturar parte dos fluxos globais. 

Resta saber se esse movimento representa apenas um ciclo favorável de curto prazo ou se sinaliza uma mudança mais estrutural na forma como investidores internacionais enxergam o país. 

Tags: brasilreal

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