A gigante do comércio eletrônico de moda Shein pretende pagar até US$ 3,5 bilhões a um grupo de investidores que participaram das últimas rodadas privadas de captação, como forma de compensá-los pela forte redução na avaliação da empresa antes de sua aguardada oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong. A informação foi divulgada no prospecto da companhia e evidencia o impacto da desvalorização da empresa desde o pico registrado em 2022.
Os pagamentos serão destinados a investidores que participaram das rodadas pré-Série D, Série D e Série D+, incluindo gestoras como Boyu Capital, Tiger Global, General Atlantic, Thrive Capital, Mubadala e Brookfield. Esses investidores possuem ações preferenciais com cláusulas de proteção que garantem compensações caso a abertura de capital ocorra por um valor inferior ao praticado nas rodadas anteriores de financiamento.
Segundo o prospecto, a Shein poderá desembolsar US$ 2,2 bilhões em dinheiro, além de distribuir aproximadamente 19,6 milhões de ações adicionais sem custo aos investidores elegíveis. A empresa também se comprometeu a realizar pagamentos adicionais de cerca de US$ 1,33 bilhão, parte em parcelas programadas e parte após a conclusão do IPO. Os recursos sairão do próprio caixa da companhia.
O valor destinado às compensações chama atenção porque supera amplamente o montante que a empresa pretende levantar com a oferta pública. A Shein busca captar até HK$ 13,86 bilhões (cerca de US$ 1,77 bilhão) com a venda de aproximadamente 280 milhões de ações, o que representa pouco mais da metade do valor reservado para indenizar investidores antigos.
A necessidade dessas compensações decorre da forte queda na avaliação da companhia. Em 2022, durante uma rodada privada de investimentos, a Shein chegou a ser avaliada em US$ 98,2 bilhões. Agora, o preço indicativo do IPO atribui um valor de mercado próximo de US$ 27 bilhões, refletindo o ambiente mais desafiador enfrentado pela empresa. Entre os fatores que contribuíram para essa redução estão o crescimento mais lento das vendas, o aumento dos custos operacionais, mudanças nas regras de importação em mercados estratégicos e o maior escrutínio regulatório sobre suas operações.
Além das dificuldades financeiras, a companhia enfrentou obstáculos para concretizar sua abertura de capital. Tentativas anteriores de listar ações em Nova York e Londres foram abandonadas devido a questões regulatórias, tensões geopolíticas e críticas relacionadas às condições de trabalho na cadeia de fornecedores e às práticas ambientais da empresa. Com isso, Hong Kong tornou-se a alternativa escolhida para viabilizar a oferta pública.
Apesar dos desafios, a Shein aposta que o IPO permitirá fortalecer sua estrutura financeira e apoiar investimentos em tecnologia, marketing e melhorias na cadeia de suprimentos. Entretanto, analistas avaliam que o elevado custo das compensações aos investidores antigos evidencia a perda de valor da companhia e demonstra como o cenário para empresas de tecnologia e varejo digital se tornou mais rigoroso após o período de forte expansão registrado durante a pandemia.






