A Microsoft considerou investir bilhões de dólares em uma parceria com a Apple em 2016 para tornar o mecanismo de busca Bing o modelo do navegador Safari. Era uma forma de competir com o Google, disse um executivo da Microsoft em depoimento nesta quinta-feira, durante o julgamento antitruste do Departamento de Justiça dos EUA em Washington contra a Alphabet, dona do Google.
O CEO da Microsoft, Satya Nadella, reuniu-se com o CEO da Apple, Tim Cook, como parte das negociações, disse Jon Tinter, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Microsoft.
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Tinter disse que a Microsoft teria sofrido uma perda de vários bilhões de dólares se o acordo fosse fechado, mas isso teria fortalecido o Bing, permitindo que ele ganhasse mais participação de mercado e receita.
A gigante do software já havia garantido um acordo para a Apple usar o Bing na Siri e no Spotlight, um recurso da Apple para iPhones de 2013 a 2017, mas queria expandir isso para o Safari. Em vez disso, o Google acabou fortalecendo seu próprio acordo com a Apple, incluindo os produtos que antes usavam o Bing.
Esse tipo de acordo de mecanismo de busca envolve a Microsoft ou o Google compartilhando com a Apple a receita de anúncios vinculados às consultas dos usuários. Como o Bing era muito menor que o Google, a Microsoft teria que oferecer à Apple uma porcentagem muito maior da receita do que o Google e teria perdido dinheiro no acordo, pelo menos inicialmente, disse Tinter.
“No curto prazo, teria sido altamente negativo. Dissemos ao conselho que estávamos pensando em fazer um investimento negativo de vários bilhões para apoiar isso”, disse Tinter.
Os termos eram negativos o suficiente para que os executivos da Microsoft discutissem com o conselho como explicar aos acionistas.
Em 2018, a Microsoft e a Apple novamente tiveram discussões sérias sobre colaborar em mecanismos de busca fora dos Estados Unidos. A Microsoft desenvolveu um “manual” para os investimentos que faria para melhorar sua busca, disse Tinter.
“Tudo girava em torno de tentar fazê-los confiantes de que poderíamos fazer a troca”, afirmou.
A Microsoft também tentou persuadir a Samsung a usar seu mecanismo de busca Bing como padrão em seus smartphones, disse Tinter.
“Mesmo que a economia fosse superior ao trabalhar com a Microsoft, eles não abandonariam o Google”, afirmou Tinter sobre a Samsung.
Em um e-mail de 15 de dezembro de 2019 apresentado em tribunal, Tinter instou Nadella a parar de pressionar o então presidente da Samsung, Dong-Jin Koh, conhecido como DJ, a mudar o mecanismo de busca padrão.
“Recebi feedback bastante sincero da equipe da Samsung de que o DJ claramente ouviu seu desejo de fazer algo aqui, mas eles não querem dar um passo grande por causa da parceria com o Google, mas o DJ é educado demais para dizer não”, escreveu Tinter.
Tinter disse que, por anos, ele instigou os executivos da Samsung a pelo menos permitirem que a Microsoft fizesse uma oferta para ser o mecanismo de busca padrão em seus telefones, citando o exemplo da Apple.
Mesmo que “não estivéssemos vencendo, estávamos ajudando a Apple a ganhar mais dinheiro e custando mais dinheiro ao Google”, disse Tinter. Mas os executivos da Samsung disseram: “Jon, nem vale a pena. Não queremos seguir esse caminho”.
Fonte: O Globo






