A Paramount solicitou à Justiça dos Estados Unidos que os autores da ação que busca barrar sua aquisição da Warner Bros. Discovery apresentem uma garantia financeira de aproximadamente US$ 1,88 bilhão. Segundo a empresa, o valor serviria para cobrir os prejuízos decorrentes do atraso na conclusão da operação, estimada em cerca de US$ 110 bilhões.
O pedido foi apresentado contra uma coalizão formada por 12 estados norte-americanos, liderada pela Califórnia, além do Writers Guild of America (WGA), que contestam a transação sob a alegação de que a fusão reduziria a concorrência nos mercados de distribuição de filmes e programação de televisão por assinatura. A ação judicial mantém a operação suspensa até que o caso seja analisado pelos tribunais.
De acordo com a Paramount, o adiamento da conclusão do negócio poderá gerar perdas expressivas devido ao pagamento de uma chamada “ticking fee”, taxa prevista no acordo com os acionistas da Warner Bros. Discovery. A companhia estima um custo de aproximadamente US$ 7 milhões por dia caso a aquisição não seja concluída até o fim de setembro, o que pode elevar as perdas para cerca de US$ 1,3 bilhão até a conclusão do julgamento, além de aumentar despesas com financiamento e atrasar as sinergias esperadas da fusão.
A Procuradoria-Geral da Califórnia criticou o pedido, afirmando que a Paramount assumiu voluntariamente os riscos ao incluir a taxa diária em seu contrato de aquisição. Para o órgão, a empresa tenta transferir aos autores da ação os custos de uma decisão comercial tomada durante as negociações da operação. Especialistas em direito concorrencial também avaliam que pedidos dessa magnitude são incomuns e têm poucas chances de serem integralmente aceitos pela Justiça.
Apesar de já ter recebido aprovação de autoridades regulatórias em dezenas de países, incluindo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a Comissão Europeia, a aquisição continua dependendo da resolução do processo antitruste movido pelos estados americanos. O desfecho da disputa será decisivo para o futuro da operação, considerada uma das maiores transações da história recente da indústria de mídia e entretenimento.






