Nos últimos anos, o Paraguai deixou de ser lembrado apenas pelas compras em Ciudad del Este e passou a entrar no radar de um número crescente de brasileiros em busca de novas oportunidades.
Empresários, estudantes, investidores e famílias inteiras têm atravessado a fronteira em busca de um custo de vida mais baixo, menos impostos e melhores condições para empreender.
Ideia alternativa considerada por brasileiros
O movimento tem chamado atenção não apenas pelo volume de pessoas envolvidas, mas também pela velocidade com que vem crescendo. O que antes parecia uma decisão restrita a empresários ou produtores rurais se transformou em uma alternativa considerada por diferentes perfis de brasileiros.
Segundo Maressa Campos, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, a explicação começa por uma diferença que pesa diretamente no bolso.
“A diferença tributária entre os dois países é o ponto de partida. Enquanto a carga tributária brasileira gira em torno de 33% do PIB, no Paraguai ela fica entre 10% e 14%”, afirma.
Menos impostos e custo de vida mais baixo
Grande parte da atratividade do Paraguai está ligada ao chamado sistema “10-10-10”, adotado pelo país vizinho.
Nele, o imposto de renda para pessoas físicas, o imposto de renda para empresas e o IVA, equivalente ao ICMS e outros tributos sobre consumo, ficam em torno de 10%.
Na prática, isso significa menos custos para empresas e maior poder de compra para os moradores.
Além da carga tributária mais leve, despesas cotidianas também costumam ser menores. Energia elétrica, aluguel, alimentação e diversos bens de consumo apresentam preços inferiores aos praticados nas principais cidades brasileiras.
“O custo de vida geral permite um padrão de consumo bem superior com o mesmo salário”, destaca Maressa.
Além disso, para empresários, o atrativo pode ser ainda maior. O país possui programas específicos para incentivar investimentos estrangeiros, como a Lei Maquila, que permite a produção local de bens destinados à exportação mediante uma tributação reduzida.
“Para um empresário brasileiro acostumado a uma das estruturas tributárias mais complexas do mundo, esse número fala por si só”, explica a especialista.
Não é apenas uma questão de dinheiro
Embora o fator financeiro seja importante, ele não explica sozinho o crescimento da migração.
Segundo Maressa, diferentes perfis de brasileiros estão chegando ao Paraguai por razões distintas. Há empresários em busca de um ambiente de negócios mais favorável, estudantes atraídos pelos custos mais baixos das universidades e famílias que procuram reduzir despesas sem abrir mão da qualidade de vida.
“Não existe um perfil único. Tem o empresário que fez as contas e abriu empresa no Paraguai por pura racionalidade, tem a família que se cansou do custo alto das grandes cidades. Tem o estudante de medicina que descobriu que pagaria muito menos para estudar”, afirma.
Nos últimos anos, as redes sociais também ajudaram a impulsionar o fenômeno. Vídeos mostrando rotina, preços e oportunidades no país vizinho passaram a circular com frequência, ampliando o interesse de brasileiros que antes sequer consideravam uma mudança internacional.
“O que une todos eles é simples: no Paraguai, o esforço rende mais”, resume.






